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Entre os casos de violência nas escolas da região o bullying é o que mais preocupa

Os casos de bullying chegam a dez ocorrências por mês

Por: Paloma Mocellin
Fotos: Ricardo Mecca

Um em cada dez estudantes brasileiros é vítima de  bullying. Realidade que assusta. E não está longe das escolas de Erechim e região que todos os dias trabalham nos mais diferentes casos. O bullying se diferencia das brigas comuns que ficam apenas na discussão. E tudo isso foi vivenciado por uma estudante que preferiu não se identificar. Ela conta como foi. “Eu era extremamente criticada e zoada pela maneira como eu falava. Passei por muitos momentos de dificuldade e cada vez me afastei mais de todas as pessoas e de mim mesma. Chorava muito. Foi muito triste. Professores e toda equipe da Cipave conseguiram o tão esperado desabafo e hoje eu consigo me expressar melhor, ser alguém, me sentir alguém, reconheço minha importância e olho com piedade e preocupação para os outros, assim como olharam para mim um dia”, disse.

Além do Bullying, diversos outros casos de violência e acidentes foram levantados no 3º Seminário da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes a Cipave. E ainda são muitos os problemas e preocupações para pais, professores, e estudantes. O mais atual são os jogos virtuais tem assolado o dia a dia de muitos alunos. Primeiro a baleia azul e agora os desafios de Momo. Os casos são graves e já resultaram em mutilações de estudantes. Diretores, preocupados. Em 2018 em toda a região foram 13 mutilações, 8 em Erechim. O vice -diretor, João Batista Debastiani, diz que o grande desafio hoje é a agilidade que notícias, informações falsas conseguem chegar até os adolescentes. “Eles não estão preparados para entender as situações que esses jogos ou brincadeiras podem trazer. NO trabalho da Cipave encontramos um apoio espetacular. E ótimo caminhos para resolução dos problemas”, disse.

O que também chama atenção e faz as escolas buscarem projetos diferenciados e eficazes é a falta de apoio familiar. A realidade é de pais repassando a educação e problemas dos filhos para a escola. A diretora Iara Rebelatto de uma escola de Campinas do Sul diz que infelizmente essa é a realidade. “Eu acredito que não é só da nossa escola, porque os pais hoje colocam os filhos em muitas atividades extra classe por falta de tempo e as crianças hoje vem com esse sentimento, de necessidade de escuta e muitas vezes os conteúdos passam batidos pela necessidade da conversa com as crianças”, pontuou.

Os casos de indisciplina em sala de aula são as maiores ocorrências. No segundo semestre de 2017 foram 787 registros e do início deste ano até agora já são 713. A violência escolar ocorre com mais intensidade do 6º ao 1º ano, ou seja, estudantes com idades entre 12 e 15 anos. ” O que nós estamos percebendo por trás de tudo isso também são aqueles alunos que já chegam violentados na escola, com rejeições, agressões, tudo em função do que estão passando, do que estão vivendo”, explicou a Assessora Cipave, Mirian De Grandi.

Na região são 109 escolas de 41 municípios que possuem o Programa Comissões Internas de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar.

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