Após número recorde de trabalhadores ocupados em 2023, mais vagas devem ser abertas este ano
O Brasil deve seguir criando empregos em 2024, ainda que em um ritmo menos acelerado.
Depois de atingir um recorde de mais de 100 milhões de trabalhadores empregados em 2023, o Brasil deve seguir criando empregos em 2024, ainda que em um ritmo menos acelerado. De acordo com economistas, com a esperada queda na taxa de juros e o início de obras públicas previstas no novo PAC do governo federal impulsionarão a demanda por mão de obra. Quem está procurando emprego deve sempre manter o currículo atualizado e se cadastrar em bancos de vagas, como o Sistema Nacional de Emprego (Sine), que analisa o perfil do candidato e a oportunidade oferecida pelos empregadores.
“O nível de emprego deve continuar aumentando, na medida em que se espera que a economia cresça em 2024. Mas o ritmo de crescimento do emprego deve se reduzir muito, e já desacelerou bastante nos últimos meses”, destaca o economista Francisco Eduardo Pires de Souza, especialista em economia monetária e desenvolvimento econômico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Mas a taxa de desemprego já se reduziu substancialmente, sugerindo que que o ritmo de crescimento da ocupação terá que ser bem menor daqui para a frente”, completa.
Enquanto e, 2023 o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer cerca de 3,0%, as estimativas para o próximo ano estão em torno de 1,5%. A desaceleração da economia deve provocar uma redução da taxa básica de juros Selic dos atuais 11,75% ao ano para 9% no fim de 2024, segundo a mais recente pesquisa Focus do Banco Central.
Na avaliação do economista Rodolpho Tobler, do FGV Ibre, a taxa de desemprego deve andar mais “de lado” no próximo ano. “O principal motor da recuperação no mercado de trabalho é a atividade econômica, especialmente neste período que já podemos chamar de pós-pandemia. Para 2024, podemos esperar uma certa desaceleração na atividade. Isso ocorre em grande parte devido ao processo de redução de juros. Esse não é um processo tão rápido. Ainda estamos em um patamar muito alto de juros na economia. Portanto, a expectativa é que no próximo ano a economia também não esteja em um ritmo tão forte, refletindo-se no mercado de trabalho.”
No trimestre encerrado em novembro a taxa de desemprego no país recuou para 7,5%, o que representa o menor nível desde 2014, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano até novembro, foram gerados no país 1.914.467 postos de trabalho no país, segundo os últimos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O professor Francisco Eduardo Pires de Souza destacou que o setor de serviços, que historicamente representa uma parcela significativa dos empregos no país, continuou sendo o grande responsável pelo crescimento do emprego em 2023. No entanto, a construção civil, tradicionalmente um setor robusto em termos de emprego, vem desacelerando neste ano. Segundo ele, o PAC e o programa Minha Casa Minha Vida podem contribuir para o emprego neste setor, mas a dimensão exata desses programas em 2024 ainda não está clara.