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Religião

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“O Senhor abriu o seu coração”

. A fé é um dom que nós vamos experimentando na mesma medida que caminhamos.

Por: Pe. Maicon A. Malacarne
Fotos: Reprodução

A experiência das primeiras comunidades é de viver a presença viva do Senhor Ressuscitado. Muitas pessoas foram se achegando e permitindo que o Espírito do Ressuscitado pudesse ir agindo e permitindo viver uma vida nova. Assim foi também com Lídia, narra a Leitura dos Atos dos Apóstolos, uma comerciante de púrpura de Tiatira, que se deixou tocar pelo anúncio de Paulo e foi “abrindo o coração”, dilatando a vida na direção de outras pessoas e percebendo que era no “ampliar do coração” que o Senhor operava na sua vida (At 16,11-15).

Como é possível “abrir o coração”? Lídia pode ser uma referência de percurso. Primeiro, o texto diz que ela “acreditava”. Crer não é uma mágica. A fé é um dom que nós vamos experimentando na mesma medida que caminhamos. Não se trata de estar prontos, mas de aprender a viver uma vigilância permanente, uma busca perseverante, um estado de olhos atentos.

A segunda referência é de que Lídia “escutava”. Além dos olhos, também os ouvidos precisam estar abertos. Os sinais são muitos, mas se estamos anestesiados, trancados numa espécie de automatismo desenfreado, não é possível a abertura que o Ressuscitado convida a viver. Olhos e ouvidos abertos permitem que o Senhor trabalhe no nosso coração também que essa “abertura” seja a sua própria presença nos transformando naquilo que devemos ser.

Depois de ser batizada, Lídia convidou Paulo e Silas: “permanecei em minha casa”. A casa de alguém que faz a experiência do Ressuscitado se torna casa do amor, casa da hospitalidade, casa da acolhida, casa de irmãs e irmãos. É uma vida nova que também o Senhor prometeu: “Se alguém me ama (…) nós faremos nesse a nossa casa” (Jo 14,23). A forma mais real de sermos “morada” de Deus é sendo morada para os outros e com os outros.

Lídia e outras tantas testemunhas de Jesus, puderam viver o que Adélia Prado diz em poesia:

Sei que Deus mora em mim
como sua melhor casa.
Sou sua paisagem,
sua retorta alquímica
e para sua alegria
seus dois olhos.

Pe. Maicon A. Malacarne

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