«Interpretar o tempo presente»
O evangelho de hoje propõe o discernimento como uma tarefa necessária para caminhar por dentro da proposta de Jesus Cristo
O evangelho de hoje propõe o discernimento como uma tarefa necessária para caminhar por dentro da proposta de Jesus Cristo. Do outro lado está a superficialidade que é a escolha de permanecer na margem da vida, sem buscar um sentido maior. De fato, Jesus disse: «quando vedes uma nuvem vinda do ocidente, logo dizeis que vem chuva. E assim acontece. Quando sentis soprar o vento do sul, logo dizeis que vai fazer calor. E assim acontece» (Lc 12,54-59). O ponto de partida de Jesus é a sabedoria mais originária e a experiência concreta dos sinais da natureza: sol, chuva, lua, nuvens… Cada tradição leu esses sinais e os compreendeu dentro dos seus pontos de referência.
O passo seguinte é discernir estes mesmos sinais para além da natureza! Jesus falava de «interpretar o tempo presente». Essa é uma grande exigência! A história vai sempre apresentando suas (des)continuidades com novas categorias em jogo, com novas tensões e novos paradoxos (metaverso, transumanismo, pós-humanismo…) e tudo isso não pode criar nem otimismo ingênuo nem fatalismo estático.
Discernir para «interpretar o tempo presente» é aprofundar bem as coisas para tentar distingui-las! Isso certamente não é linear e tudo tende a sempre retornar com outros rostos e com outras roupagens. O aprofundamento deve levar a compreender não os fatos isolados, mas a complexidade do que está em torno desse fato e escondido «atrás» dele!
O evangelho oferece uma fascinante chave de leitura da vida! Um seguidor de Jesus não pode ser um repetidor de slogans, não é um divulgador de mentiras, não é um incentivador de violência, não apoia a irracionalidade das grosserias… fora do discernimento, o evangelho de Jesus se torna só um reducionismo em frases soltas e descontextualizadas.
É o discernimento que ajuda superar a vida superficial!