A oração humilde é a mais verdadeira!
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O evangelho deste domingo partilha duas formas de rezar. Mais do que dois modelos, podem ser atitudes, cenários que coabitam em nós e que hora reforçamos um, hora reforçamos outro. No entanto, ao fazer referência a forma humilde de rezar do publicano, Jesus assinalava que a oração mais verdadeira não é aquela que aparentemente parece ser mais verdadeira, mas aquela de quem sabe confiar mais em Deus do que em si mesmo.
A oração do fariseu era um elogio de si, atravessado por um longo discurso: “Deus, veja como faço bem isso”, “veja como fiz bem essas obras, faço jejum, faço caridade”, “veja como recitei tudo bem certinho”, “olha só para esse publicano, ele nem sabe rezar, obrigado por não ser como ele”.
O publicano, por sua vez, estava no Templo, sem nem conseguir olhar para o céu, só conseguia rezar dizendo: “Meu Deus, tem piedade de mim que sou pecador”. A oração do publicano é descentralizada, não é fechada no “eu” e, sendo assim, permite que Deus trabalhe no seu coração.
Entre as duas formas de rezar há uma evidente mudança de lugar do orante: o fariseu tem o domínio de tudo, se coloca na posição de controle, na repetição de tantos “eu”, de fato, não há muito lugar para Deus, embora o discurso seja diferente. O fariseu não precisava de Deus para se salvar, ele mesmo já se ‘salvou’ na sua autorreferencialidade.
O publicano, por outro lado, é o homem que sabe confiar, que se sente pequeno, se sente fraco e percebe que não consegue sozinho. Não se trata de alienação, mas de consciência de que para além do “eu” há irmãos, há Deus, há relações, há vida fora do egoísmo! Jesus elogiou a oração do publicano e abriu uma nova gramática para a oração que deve ser sempre sustentada pela humildade e não pela vanglória.
O biblista italiano Silvano Fausti afirma que “a fé é a soleira da porta de ingresso do Reino. Os umbrais que a sustentam são a oração e a humildade. Sem a primeira, morre-se de asfixia; sem a segunda, cresce-se em presunção”. Santa Teresa d’Ávila dizia que “a humildade é a verdade!”. Quando tivermos o ímpeto de nos acharmos melhores, também na fé, o Senhor volta a nos dizer: confia mais em Deus! Confia mais em Deus!
Pe. Maicon A. Malacarne