Estreitar-se!
«Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita», diz Jesus, no evangelho de hoje (Lc 13,22-30).
«Fazei todo esforço possível para entrar pela porta estreita», diz Jesus, no evangelho de hoje (Lc 13,22-30). Algumas leituras indicam a porta estreita na perspectiva do mérito da salvação, ou seja, poucos serão salvos porque muitos terão dificuldade de atravessá-la. O último gesto de Jesus entre nós – o lava-pés – indica uma boa chave de leitura para pensar outro significado da «estreiteza». A porta estreita, de fato, recorda que todo seguidor de Jesus Cristo precisa trabalhar para transformar-se na pequenez, na humilde, na capacidade de se abaixar para servir. No fundo, estreitar-se no amor! O amor é a passagem por esse limiar!
Um dos maiores escritores místicos, São João da Cruz, na sua obra sobre a Subida ao Monte Carmelo, lembrava o diálogo entre o tudo e o nada: «para chegares a saborear tudo, não queiras ter gosto em coisa alguma. Para chegares a possuir tudo, não queiras possuir coisa alguma. Para chegares a ser tudo, não queiras ser coisa alguma. Para chegares a saber tudo, não queiras saber coisa alguma». O caminho do esvaziamento para atravessar a porta estreita é o coração do estilo do evangelho.
Quando o mundo grita que a felicidade está em ser grande, em ser importante e dominar tudo, a Boa Notícia de Jesus Cristo sugere a cartografia do inverso: descer, estreitar, fazer-se tão pequeno quanto do tamanho da porta estreita. Jesus mesmo «esvaziou-se a si mesmo tomando a condição de servo» (Fl 2,7). E nunca cansava de convidar: «quem entre vós quiser se fazer grande, seja o servidor de todos» (Mt 20,26).
É por essa construção da estreiteza, entre erros e acertos, dando-se conta das limitações, mas com os olhos fixos no evangelho que a porta se torna acessível para todas as pessoas, de todos os cantos do mundo que se encontram no amor!