Retornar à Mãe!
É muito interessante perceber que, depois da crucificação de Jesus, com o trauma e o medo da cruz, os Atos dos Apóstolos guardam a imagem dos discípulos reunidos em torno de Maria.
O amor feminino, maternal, é o lugar onde aquilo que está desintegrado volta a se integrar. Todos precisamos de uma mãe, porque a mãe é aquela que junta os pedaços, que transforma em mosaico os cacos de uma vida quebrada.
É muito interessante perceber que, depois da crucificação de Jesus, com o trauma e o medo da cruz, os Atos dos Apóstolos guardam a imagem dos discípulos reunidos em torno de Maria (At 1,12-14). Não é apenas uma cena bonita: é um acontecimento teológico, psicológico, sociológico e escatológico, porque só o amor feminino é capaz de (re)formar todas as coisas.
Hoje a Igreja celebra Maria, Mãe da Igreja! No pequeno trecho do Evangelho, aparece cinco vezes a palavra «mãe» (Jo 19,25-27). Uma nova maternidade está sendo formada. Ao receber Maria como mãe, o discípulo amado — imagem do discipulado perfeito, daquele que ama — recebia também o compromisso de ser filho: «Eis aí a tua mãe!».
Se a cruz nos tirava Jesus, a humanidade inteira ganhava uma mãe. O Evangelho ainda dirá: «O discípulo a recebeu em sua casa». A casa, a habitação, esse espaço da convivência humana, é o lugar por onde a maternidade começa. É da casa que Maria gera novos filhos para o Filho.
Mãe, filhos, casa… o cenário é muito significativo para a liturgia de hoje. Ora, se foi dessa experiência que a Igreja nasceu — com a vinda do Espírito Santo, celebrada em Pentecostes —, ela só consegue ser fiel a Jesus Cristo quando sua vocação traduz maternidade, quando sabe ser casa, sem nunca deixar de ser filha no Filho.
Quando, na Igreja, se encontra mais fechamento do que acolhida, mais leis do que Evangelho, mais frieza do que abrigo e proteção, mais julgamento do que consolação, então é momento de voltar o olhar para a Mãe e reaprender dela a maternidade e a filiação. E isso pode ser feito juntos, porque a Igreja somos nós.
Pe. Maicon A. Malacarne