Grupos de turismo preferem vans para roteiros personalizados e viagens sob medida
Tendência de personalização no turismo brasileiro aproxima grupos do transporte exclusivo, com o trajeto definido pelos próprios passageiros e não mais pelo pacote.
Para um grupo de doze pessoas que decide percorrer quatro cidades em cinco dias, a primeira decisão raramente é o destino. É o transporte.
Quem vai dirigir, quantos carros serão necessários, onde estacionar, como manter todos juntos quando o roteiro muda no meio do caminho. A resposta a essas perguntas define o ritmo da viagem inteira, e ela vem mudando.
O turista brasileiro tem recusado o pacote fechado, com horários impostos e paradas obrigatórias, em troca de roteiros montados conforme o interesse de quem viaja. A mudança aparece nos números do setor e altera a forma como os grupos organizam o deslocamento.
Em vez de um ônibus de excursão com cinquenta desconhecidos seguindo um itinerário padrão, ganha espaço o modelo do grupo pequeno que contrata um veículo só para si e decide aonde ir.
Esse movimento tem nome dentro do turismo: personalização. E ele explica por que a van com motorista deixou de ser apenas um meio de transporte para virar a peça que organiza a viagem de pequenos e médios grupos.
O turista que monta o próprio roteiro
A Revista Tendências do Turismo 2026, elaborada pelo Ministério do Turismo, pela Embratur e pela Braztoa a partir da análise de 32 publicações internacionais, aponta a personalização como um dos comportamentos que mais crescem entre os viajantes.
Em vez de optar por pacotes completos e rígidos, os turistas adotam estratégias flexíveis e moldam a viagem aos próprios interesses, ritmos e preferências.
O perfil das viagens acompanha essa lógica. Dados da Braztoa mostram que, em 2024, 51,97% dos roteiros comercializados tiveram entre cinco e oito dias, enquanto 35% duraram até quatro dias.
O brasileiro está optando por viagens mais curtas e mais frequentes, distribuindo o descanso ao longo do ano e aproveitando feriados prolongados para passeios menores. São deslocamentos que pedem flexibilidade, não a rigidez de um cronograma fechado por uma operadora.
O turismo doméstico sustenta esse mercado. Segundo levantamento da PANROTAS com base em dados do setor, as viagens dentro do país responderam por cerca de 60% dos embarques em 2024.
A região Sul figura tanto como origem de boa parte dos viajantes quanto como destino procurado, e a plataforma Skyscanner listou Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, entre as cidades com passagens aéreas mais acessíveis para 2026, o que tende a atrair grupos de outras regiões para a Serra Gaúcha e reforçar o fluxo de turismo entre estados.
Por que o grupo prefere andar junto
A decisão de manter o grupo em um único veículo não é apenas uma questão de conforto. É de controle sobre o roteiro. Quando cada participante segue por conta própria, em carros separados ou em transporte público, o passeio se fragmenta. Horários se desencontram, paradas combinadas se desfazem e o tempo que deveria ser de lazer vira logística.
A regulamentação do transporte de grupos reconhece essa diferença. A Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT, classifica o serviço prestado a um grupo fechado como fretamento, modalidade na qual não há venda de passagens individuais e o veículo atende apenas aos passageiros contratantes.
Dentro dessa categoria, a ANTT define o fretamento turístico como aquele voltado a passeios e excursões de lazer, separado do fretamento eventual, usado em ocasiões pontuais como eventos, e do contínuo, empregado no transporte regular de trabalhadores ou estudantes.
A própria norma trata o trajeto como elemento central. A Resolução 4.777, de 2015, define roteiro como a indicação dos municípios de origem e destino de uma viagem, e itinerário como o trajeto percorrido entre esses pontos.
A modalidade opera em circuito fechado: o grupo parte de um local de origem, percorre todo o itinerário com os tempos de permanência previstos e retorna no mesmo veículo.
É exatamente o desenho de uma viagem sob medida, em que o destino e as paradas são escolhidos antes do embarque e cumpridos sem desvios impostos por terceiros.
O modelo que coloca o roteiro nas mãos do grupo
Em grandes centros urbanos, onde o trânsito intenso e as distâncias longas tornam o deslocamento de grupos mais complexo, o transporte exclusivo com motorista é o que viabiliza o roteiro personalizado.
De acordo com empresas que alugam vans em São Paulo, o trajeto deixou de ser um anexo do pacote e passou a ser o ponto de partida da contratação: o grupo informa origem, destino, paradas e horários, e o serviço é planejado a partir dessas escolhas, não de uma rota fixa pré-definida.
Esse arranjo atende a situações que vão do city tour a viagens entre cidades. Um grupo que quer conhecer pontos turísticos de uma capital em um único dia define a ordem das visitas e o tempo em cada lugar.
Uma família que viaja para o interior em um casamento ou em um feriado prolongado mantém todos no mesmo veículo, com bagagem organizada e horário de saída único. Em todos os casos, o motorista profissional assume a direção, e o grupo se concentra no passeio.
O veículo escolhido costuma variar conforme o tamanho do grupo. Modelos de 15, 18 e 20 lugares cobrem desde grupos menores até excursões de médio porte, com ar-condicionado e bancos reclináveis nas configurações mais voltadas a viagens longas.
A definição do modelo, da quantidade de passageiros e da duração do serviço entra no planejamento antes da viagem, o que dá ao grupo previsibilidade de custo e de logística.
O que diferencia o transporte regularizado
A flexibilidade do roteiro não dispensa cuidado com a regularidade do serviço. A ANTT exige que as empresas de fretamento possuam o Termo de Autorização para Fretamento, conhecido pela sigla TAF, e emitam uma licença de viagem para cada trajeto interestadual realizado. Esses documentos comprovam que a operação está dentro das normas de transporte coletivo de passageiros.
A agência também estabelece outras garantias para quem viaja em grupo. Os veículos precisam estar cadastrados, vistoriados e em boas condições de manutenção, com motoristas capacitados para o transporte de pessoas.
A relação de passageiros deve acompanhar a viagem, e a inclusão de seguro de acidentes pessoais é prática esperada do serviço regular. Para o turista, a recomendação da própria ANTT é verificar a regularidade da empresa pelo CNPJ ou nome antes de fechar o contrato, e registrar qualquer irregularidade pelo telefone 166.
A diferença entre um serviço regularizado e um transporte clandestino aparece justamente nesses detalhes. O fretamento autorizado oferece veículo vistoriado, motorista treinado, seguro e responsabilidade definida em caso de problema no trajeto.
O transporte informal, sem licença, deixa o grupo sem amparo caso algo dê errado, com risco que pesa mais quando há crianças, idosos ou bagagem volumosa na viagem.
Antes de fechar a viagem
A escolha do transporte costuma ficar para o fim do planejamento de uma viagem em grupo, depois do destino e da hospedagem. A tendência de personalização inverte essa ordem, porque é o veículo que torna o roteiro flexível possível. Quanto antes o grupo define como vai se deslocar, mais espaço sobra para ajustar paradas, ritmo e horários ao gosto de quem viaja.
Vale checar três pontos antes de decidir. O primeiro é a regularidade da empresa junto à ANTT, com autorização e licença de viagem em dia. O segundo é a adequação do veículo ao tamanho do grupo e ao tipo de trajeto, considerando bagagem e duração.
O terceiro é a clareza do que está incluído no serviço, do motorista ao seguro, para evitar surpresas no meio do passeio. Com esses pontos resolvidos, o roteiro sob medida deixa de ser uma promessa de catálogo e passa a ser o que o grupo realmente escolheu fazer.