Vínculos!
O anúncio do Reino é inseparável da experiência de fraternidade.
Quando Jesus formou sua pequena comunidade com os doze apóstolos, evidenciou o fundamento relacional da fé cristã. Na própria natureza do seguimento de Jesus está a unidade, a convivência e a formação de vínculos. A missão nasce da comunhão, nunca do isolamento (Mt 10,1-7). Antes de enviar, Jesus reúne; antes da evangelização, forma uma comunidade. O anúncio do Reino é inseparável da experiência de fraternidade.
O filósofo Martin Buber afirma que existem dois modos fundamentais de relação: o eu-tu e o eu-isso. Quando o outro é reconhecido como um tu, acontece o verdadeiro encontro: «O ser humano se torna eu pela relação com o tu (…) Todo viver real é encontro». Quando, porém, o outro se torna um isso, surge a tentação de reduzi-lo a um objeto, de controlá-lo, instrumentalizá-lo ou domesticá-lo. A identidade humana floresce na reciprocidade.
O discipulado de Jesus passa, necessariamente, pela arte de conviver. Não basta compartilhar uma missão; é preciso aprender a compartilhar a vida. Cada encontro, cada reunião, cada formação ou estudo deveria reservar espaço para a escuta, para a narrativa das próprias histórias, para a partilha das alegrias e das fragilidades. A convivência não pode ser reduzida a um intervalo. Ela precisa ser cultivada, organizada e assumida como um verdadeiro exercício espiritual. Não há comunhão sem tempo dedicado ao outro.
O pintor Paul Cézanne escreveu: «Nada existe além do rosto». Sua intuição recorda que Deus nos alcança, muitas vezes, por meio da face concreta do irmão. Também o poeta Alberto Caeiro observa: «Não vejo para dentro». Não se trata de desprezar o indispensável caminho do autoconhecimento, mas de reconhecer que ninguém se conhece sozinho. Descobrimos quem somos quando acolhemos e somos acolhidos.
Em uma cultura marcada pelo individualismo, pela pressa e pelas relações cada vez mais superficiais — muitas vezes mediadas apenas pelas telas — o Evangelho continua propondo uma revolução silenciosa: aprender novamente a estar com as pessoas. Antes de fazer coisas para Deus, somos chamados a permanecer com Ele e com aqueles que Ele coloca ao nosso lado.
Pe. Maicon A. Malacarne