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Profissão Professor: os desafios da educação no Rio Grande do Sul

Salários parcelados, falta de valorização e falta de investimentos na educação são alguns dos desafios enfrentados pelos educadores gaúchos

Por: Isadora Guazzelli
Fotos: Ilustração

No último sábado, 15, foi comemorado o Dia do Professor. Para tanto, os professores da rede Estadual de ensino não possuem tantos motivos assim para comemorar. Durante o ano de 2015 o governo gaúcho encontrou dificuldades para pagar o funcionalismo e passou a parcelar os salários a partir de julho.

Neste mês de outubro o parcelamento de salários chegou ao 15º mês de vencimentos pagos em diversas vezes. Em entrevista ao Jornal Atmosfera a diretora do 15º Núcleo do  entro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS) de Erechim, Marli da Silva, falou sobre os desafios da profissão no Estado e também sobre a difícil condição dos servidores quanto ao parcelamento dos salários.

Parcelamento de Salários

Segundo Marli, parcelar salários de qualquer trabalhador é um desrespeito. “No caso dos servidores, professores e funcionários de escola fere o direito estabelecido na Constituição Estadual que define o pagamento integral até o último dia do mês. Que condições tem um professor de fazer bem o seu trabalho se não tem como pagar o seu aluguel, colocar comida na mesa para seus filhos, dinheiro para pagar o transporte que o leve para a escola, sem perspectivas futuras e mesmo assim na frente dos seus alunos, das crianças dão o melhor de si, porque elas merecem, é direito seu, mas é dever do estado de nos dar condições, isso ele não cumpre e ainda somos responsabilizados pela crise do Estado que na verdade e produzido pela má gestão dos recursos públicos pelos gestores”, disse Marli.

Percepção da população em relação a profissão de educador no Brasil

“A sociedade exige da escola e dos educadores várias funções e interesses diversos que não são sua responsabilidade e, principalmente, o poder público deve se convencer de que necessitam de professores bem preparados e capacitados para que a educação melhore, se este realmente for seu desejo e compromisso.
Para que o trabalho da escola seja eficaz e competente é preciso envolver os alunos, pais, educadores e professores em um trabalho coletivo de pesquisa, estudo e reflexão da realidade do educando e da educação, que assumam de forma compartilhada a responsabilidade do sucesso do processo educativo dando condições para que os professores executem da melhor forma possível o seu papel e função”, destaca a diretora.

Principais desafios enfrentados pelos professores em sala de aula

“A responsabilidade pela qualidade da educação, pelos índices do IDEB, pelas notas do ENEM, pela evasão, repetência, sem os investimentos necessários na formação, na infraestrutura e salários dignos, são desafios e agora vemos a possibilidade de termos profissionais de “notório saber” proposta da Reforma do Ensino Médio que permite profissionais não habilitados, precarizando ainda mais o ensino. Precisamos de professores que permaneçam na escola de preferência com dedicação exclusiva e tenham uma carreira e uma formação sólida, para melhorar sua qualificação e remuneração, que crie vínculos com a comunidade escolar”, salienta Marli.

Medidas poderiam ou deveriam ser adotadas para melhorar a educação no Estado e valorizar o professor

“Uma educação de qualidade se faz com participação de toda comunidade escolar, com propostas pedagógicas construídas coletivamente levando em consideração o interesse dos estudantes, com escolas bem organizadas, tratando dignamente os profissionais da educação. Temos um Plano Nacional de Educação construído e aprovado com a participação da sociedade para durar por 10 anos e ser uma proposta de Estado e não de governo, que apresenta metas e estratégias que se cumpridas podem mudar a educação deste país. Metas que passam pelo direito de aprendizagem para todos, da qualificação dos professores, do custo aluno e do financiamento.
Nossos governantes e gestores tem que cumprir o que está determinado para que tenhamos uma educação de qualidade que nossos jovens merecem”, finaliza a diretora.

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