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“Adotar não é um favor, nossos filhos estão aqui porque eram pra estar”, diz mãe que adotou quatro filhos

No dia nacional da adoção, conheça a história da Emanuela e do Diego, um casal que Estação que formou sua família por meio da adoção. Saiba mais sobre o processo:

Por: Caendy Carvalho
Fotos: Arquivo Pessoal

Se tornar mãe é um processo único e transformador, seja por meio da gravidez, fertilização ou adoção. O amor e o carinho pelos filhos não dependem da ligação biológica.

Como é o caso do casal, Emanuela e Diego de Carvalho, de Estação. O casal está junto desde 2010, ano também em que a Emanuela foi diagnosticada com um câncer no útero, o que a impossibilitaria de ter filhos biológicos. “Eu sempre quis ser mãe de filhos adotivos e isso sempre foi à força do meu pensamento. Sempre tive esse sonho de adotar uma criança e foi assim que demos inicio a construção da nossa família”, comenta a mãe.

Em abril de 2012, o casal entrou para a fila de adoção. Foi preciso fazer todo o processo de habilitação, testes psicológicos, atendimentos com assistentes sociais e demais procedimentos necessários para a adoção. A partir desse momento foram sete anos na fila de espera até adotarem os dois primeiros filhos, a Ana Vitória na época com sete anos, e o Rafael com quatro anos, a adoção foi através do aplicativo A.dot do Estado do Paraná.

A mãe conta que entrava no aplicativo todos os dias, com o sonho de iniciar a família. “Eu vi eles e disse para meu esposo – encontrei nossos filhos –, a partir desse momento iniciamos o processo de aproximação. Isso foi no ano de 2019. Esse processo demorou em média um mês e meio, pois as crianças são do Estado do Paraná. Nós tínhamos que viajar todos os finais de semana para ter contato com eles. Foi um processo cansativo, mas preciso antes de ter o convívio diário com eles em casa”, explica.

As crianças vieram para casa com os pais, em Estação, no dia 10 de maio de 2019, exatamente no dia das mães. O desejo de ser mãe e pai era tão grande e o desejo por eles de ter uma família também que a conexão aconteceu naturalmente.

Mesmo a média de espera na fila de adoção sendo de dois anos, atualmente no Brasil, o casal precisou aguardar sete anos para iniciar a sua família. No Brasil cerca de 33 mil pretendentes aguardam para adotar uma criança, em contrapartida são mais de quatro mil crianças a espera de um lar, os dados são do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento.

De longe, o número de crianças é bem menor que o número que pessoas disponíveis para a adoção, mas essa demora no processo ocorre devido à burocracia e as exigências dos pretendentes.

No Rio Grande do Sul, são cerca de 470 crianças disponíveis para adoção. Já o número de pretendentes disponíveis é mais de 3.700. No Estado também existe um aplicativo disponível para quem desejar acessar o cadastro de adoção, o app ‘Deixa o amor te surpreender’, apresenta o perfil das crianças disponíveis para adoção, assim como dúvidas frequentes.

Passando de 4 para 6 integrantes

A terceira filha do casal foi adotada no RS. A Gabriele estava no Lar da Criança Edir Bisognin Goelzer, de Erechim. Com ela o processo de aproximação foi diferente, isso porque a Gabriele tem 12 anos e foi adotada durante a pandemia. A menina chegou à família na semana do Natal de 2020. “Quando a Gabi chegou aqui em casa, parecia que nós só tínhamos ido buscar ela em algum lugar, era como se sempre tivesse morado aqui, se sentiu em casa”, comenta.

Em 2021 veio a adoção da quarta filha, só que dessa vez, um neném de 11 meses. “Com a Maria Thereza nós recebemos um ligação do Fórum de Caxias do Sul, informando que teria uma menina para adoção de 11 meses com paralisia cerebral e que precisaria de cuidados especiais. Mas nós nunca colocamos nenhuma restrição para adotar, sempre esperamos os presentes de Deus, o que estava designado para a gente. Nós conhecemos a Maria Thereza, tivemos conversas com os médicos e depois já trouxemos ela para morar com a gente. É uma experiência totalmente diferente, pois todos nossos outros filhos chegaram grandinhos e ela é uma neném”, comenta a mãe.

No próximo sábado dia (28) irá completar um ano que a Maria Thereza está com a família, “estamos ainda com a guarda provisória da Maria, porque o processo é demorado. Mas ela já está com um quadro de saúde completamente diferente do que quando ela chegou. Ela não usa mais sonda, já come sozinha e já está começando a sentar”, pontua.

O amor de uma mãe ou de um pai, de irmãos ou irmãs, é um amor que não tem diferença em ser biológico ou de coração. Para a família o amor é uma construção diária, é uma forma de amar cada risada, o cuidado, o afeto, e a generosidade entre os irmãos. Emanuela complementa dizendo:

“adotar não é uma generosidade, não é um favor que estamos fazendo pelas crianças. Essas crianças fazem muito mais por nós, do que nós por elas. E existe uma troca. Eu e o Diego ainda estamos na fila de adoção e queremos ainda mais, uma ou duas crianças para nossa casa, para a nossa família. Nossos filhos estão conosco porque eles precisavam estar aqui e nós precisávamos deles” finaliza a mãe.  

Lar da Criança Edir Bisognin Goelzer de Erechim

No município de Erechim, foram adotados sete crianças e adolescentes de janeiro a maio de 2022. O Lar da Criança está com 24 crianças e adolescentes acolhidos, sendo um adolescente disponível para adoção e 23 crianças em processo de suspensão ou destituição do poder familiar.

De acordo com a psicóloga do Lar da Criança de Erechim, Adriana Secchi, os processos tem sido rápidos e não existe uma longa permanência de crianças e adolescentes no serviço de acolhimento. “As vezes o que acaba demorando o processo de adoção é que os pretendentes optam por um perfil fechado de crianças, ou muito pequenas, recém nascidas, sem irmãos, ou sem problemas de saúde e estas exigências fazem com que o tempo de espera destes adotantes seja maior. Depois disso ainda é preciso fazer todo o processo de preparação das crianças e aproximação com as famílias”, comenta Adriana.

O Lar da Criança de Erechim fica localizado na rua Anita Garibaldi, 870, centro, telefone (54) 3321-1828. Quem quiser saber mais sobre adoção e os tramites legais pode consultar o Lar ou os canais oficiais do Governo do Estado do RS.

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