Animais exóticos e silvestres: veterinário erechinense alerta para riscos e cuidados
O veterinário explica que existem riscos tanto para humanos quanto para os próprios animais; confira
O desejo de ter um pet as vezes pode sair do usual, como gatos e cachorros, e surgir por animais exóticos e silvestres. Porquinhos da índia, coelhos, aves e até mesmo répteis, todos eles podem estar na lista de pets desejados. Porém, para adotar qualquer um desses animais é preciso passar por um processo rigoroso.
Para o veterinário Diego Agazzi, o amor pelos animais surgiu cedo, quando ainda era criança, e conta que colecionou pets de várias espécies em casa. “Tive desde cães, gatos, coelhos, aves, cavalos e vacas, e isso me fez cada vez mais ter vontade de cuidar deles, poder cuidar de animais que sempre vi que necessitavam de cuidado e faltava pessoas especializadas para isso”, conta Diego.
Devido a esse amor, Diego se formou em veterinária e hoje trabalha com pets desde convencionais até com pets exóticos. “Ao longo da vida, já cuidei de muitas espécies. No momento os animais mais diferentes que estou cuidando são uma serpente exótica (corn snake) e um sagui de tufo branco”, conta.
O veterinário explica que a principal diferença entre animais silvestres e animais exóticos é onde eles vivem. “Os animais silvestres são aqueles nativos da fauna local. Esses animais são os da natureza, não são animais para serem criados como pet”, explica Diego.
Apesar de não ser recomendado ter animais silvestres como pet, existe a necessidade, em muitos casos, de acolher esses animais. “Em alguns momentos temos esses animais silvestres que por algum motivo foram resgatados e não podem mais voltar para natureza. Nesses casos, por meio da Patrulha Ambiental, alguém que tenha interesse e capacidade pode se tornar fiel depositário, se tornando cuidador desse animal”, explica Diego.
“As pessoas que tem interesse em ter um pet silvestre ou exótico deve sempre procurar criatórios legalizados para venda desses animais, confiáveis e autorizados pelo IBAMA, além de conferir se o estado permite a mantença desse animal como pet. Devido ao clima do Rio Grande do Sul, alguns animais não são permitidos aqui”, aconselha o veterinário.
Diego explica que existem riscos ao adotar um animal silvestre, tanto para o humano quanto para o próprio animal, e que o tutor deve procurar conhecimento e orientação profissional. “São animais selvagens e não estão acostumados com o contato humano, o que pode gerar riscos. Ao ter um pet silvestre ou exótico, de forma legalizada, sempre deve-se procurar conhecimento e orientação de um profissional capacitado sobre o comportamento, alimentação e necessidades do animal. É importante não se basear apenas em informações da Internet, pois muitas vezes elas podem conter informações incorretas e que pode causar riscos para o animal”, explica.
No mês de junho, em Erechim, houve a apreensão de pássaros silvestres que eram mantidos em condições insalubres. O veterinário alerta que retirar aves silvestres da natureza pode desencadear riscos para a saúde e segurança. “Retirar uma ave silvestre da natureza traz riscos tanto para o ser humano quanto para o animal. Existem doenças que podem ser transmitidas de aves para humanos, assim como de humanos para aves. Ao pegar um animal da natureza corremos o risco de adquirir alguma doença, assim como espalhar alguma doença em outras aves que já possam estar no local, podendo ser até mesmo aves pets”, alerta.
“Se em algum momento a pessoa quiser devolver o animal para natureza, podemos estar soltando um animal doente ou, ainda, em caso de pegar animais filhotes para cuidar em casa, soltar um animal na natureza que nunca aprendeu a buscar alimento ou até mesmo a voar, condenando a vida desse animal”, complementa.
Além desses problemas, o veterinário explica que a retirada das aves da natureza pode acarretar na extinção das espécies. “É comum retirar aves da natureza que estão em risco de extinção, muitas vezes por serem animais bonitos. Porém, ao fazermos isso, podemos estar com um animal bonito dentro de casa, mas que pode acabar deixando de existir na natureza”, finaliza Diego.




