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Desapegar é preciso, alerta psicólogo. Acumulo pode ser prejudicial

De acordo com Paulo Kautz, desapegar também tem a ver com renúncia, uma das coisas mais importantes da evolução humana

Por: Paloma Mocellin

É muito comum a característica do apego nas pessoas. A tarefa de desapegar nem sempre é fácil. Para alguns se torna inclusive uma grande dificuldade. Porém, o ato de acumular pode ser prejudicial para sua saúde mental e emocional. Apegar-se de coisas, ideias, pessoas ou situações, quando em excesso, nos mantém reféns da vida, fazendo com que o dia a dia se torne pesado e sem alegria. O apego é uma forma de vincularmos a alguém ou a algum objeto.A posse destes nos faz muitas vezes sentirmos melhor, capazes de ter ou de conquistar. Porém o excesso de apego pode trazer consequências danosas ao nosso sistema emocional, principalmente quando a posse se torna dependência emocional, alienação, fixação e sofrimento. Isso quem explica é o Psicólogo Paulo Kautz de Erechim.

Segundo ele, precisamos aprender a desapegar daquilo que a tempo se coloca como não mais importante, velho, como novo mas sem uso, tudo o que nos faça mal. “Desapegar é viver uma nova liberdade, de poder utilizar o espaço aberto, com novas condições, pessoas e objetos que realmente sejam de nossas verdadeiras necessidades, que possam nos fazer bem. Abrir novos espaços em nossas vidas auxiliar a criar novas perspectivas e esperanças de algo sempre melhor, mais evoluído em nossa condição humana”.

Portanto, Kautz ainda salienta que não se deve lamentar quando algo não mais serve, pois algo novo vem como novas perspectivas de satisfação e realização. O Psicólogo explica que o apego acontece quando muitas vezes pessoas e objetos substituem aquilo que verdadeiramente temos como necessidades internas, ao qual ainda não conseguimos identificar. “Desapegar seria como ficar órfão destes substitutos, que de alguma forma preenchem nosso eu; assim emerge o medo e o receio de abandonar aquilo que nos preenche, ficar no vazio, levando ao não desprendimento”.

Segundo o médico o ato de desapegar pode significar não ter mais controle de algo, ou para alguns, de tudo. E isto é fator de um aumento no nível ansiedade, sofrimento. “Ao mesmo tempo em que desapegar é dar aquilo que é seu para alguém, são formas de alimentar a caridade e a fraternidade entre as pessoas – desapegar e doar é um ato de amor”, explica.

De acordo com Paulo, desapegar também tem a ver com renúncia, uma das coisas mais importantes da evolução humana. “Tem-se que perceber que tudo tem seu tempo, e que muitas etapas de nossas vidas tem um ciclo final. Temos que deixar pra trás muitos momentos que já não nos servem mais, objetos e pessoas. Renunciar a posse de tudo que tira nossa vontade de lutar pela vida e pela felicidade, se faz necessário”, diz.

“Renunciar e desapegar nunca é perder”, enfatiza o psicólogo que ainda completa dizendo que o passou não retorna. “Se passou foi porque precisava passar. Mudar de casa, conhecer novos amigos, trocar os móveis, doar roupas sem uso, vender os livros lidos, conquistar um novo amor. Nada é insubstituível”, finaliza Kautz.

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