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Religião

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Doar-se totalmente!

Contra a cultura da anestesia, o caminho é doar-se, entregar-se, servir e amar!

Por: Pe. Maicon A. Malacarne
Fotos: Reprodução

Susan Sontag, uma das mentes mais geniais da história recente, escreveu uma obra chamada «Diante da dor dos outros». A primeira edição é de 2003 e continua sendo uma reflexão fundamental. Sontag aprofundou os impactos que as imagens de sofrimentos – fotos e pinturas – causam. Navegando pelos horrores das guerras, da pobreza, das catástrofes, ela vai ajudar a questionar como esses mecanismos que podem, inicialmente, sensibilizar, acabam por ajudar a naturalizar os mesmos sofrimentos: «na medida em que criam solidariedade, as fotos atrofiam a solidariedade?», é a pergunta chave que ela coloca. Acostumamo-nos tanto com cenas de sofrimento que não reagimos, não ficamos chocados ou sentimos alguma sensibilidade que passa em minutos.

Ainda conseguimos nos comover? A dor dos outros ainda dói em nós? Estamos anestesiados e preferimos passar para o próximo stories ou outro canal da TV quando diante das cenas de tragédias? Susan passou anos da sua vida no Vietnã e em Sarajevo e de dentro da guerra se perguntava: «Temos o direito de contemplar à distância o sofrimento alheio?»

É impressionante, nesse sentido, como Jesus mobilizava em torno de si os mais sofridos. Uma multidão de pessoas se aproximava de Jesus, diz o evangelho de hoje (Mc 6,53-56). Quase todos eram doentes, alguns carregados em macas, vinham de muitos lugares. Jesus atraia multidões porque sua forma de comunicar, de falar sobre Deus, de ser próximo, de se deixar tocar, apontava um sentido maior, um ânimo novo e uma vida nova para as pessoas. Para além do milagre, há a busca por estar perto, sentir-se amado, cuidado, respeitado. Com Jesus, nenhum sofredor voltava para casa sem a marca da esperança!

Ao não naturalizar o sofrimento, Jesus tornou-se integralmente oferta de amor. Jesus não retinha nada, tudo se tornava dom, graça, gratuidade, mesmo «a barra da sua veste» era um lugar de vida nova. Contra a cultura da anestesia, o caminho é doar-se, entregar-se, servir e amar!

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