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Vida

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Rezar nosso abandono

A auto suficiência está servida nos almoços de família e nas redes sociais, embalada pela aparência, por tentarmos mostrar constantemente sermos algo que não existe, uma força mascarada

Por: Ascom
Tenho pensado muito em nossa fraqueza. A pandemia tirou a máscara dos nossos super poderes. Somos nada. Frágeis em absolutamente tudo. Frágeis de relações. Frágeis fisicamente. Frágeis emocionalmente. Frágeis espiritualmente. Está aí diante de nós o absurdo da fragilidade.
O mais contraditório é que isso tudo acontece no tempo em que a humanidade vive certo ar de imortalidade, de grandiosidade… A auto suficiência está servida nos almoços de família e nas redes sociais, embalada pela aparência, por tentarmos mostrar constantemente sermos algo que não existe, uma força mascarada.
Nesse interim vem o papel da espiritualidade de Jesus de Nazaré. Há quem prefira manter o olhar fixo num Messias poderoso, triunfalista, milagreiro e curandeiro. E é possível. No entanto, se visitamos mesmo o Evangelho, encontramos o Jesus da fragilidade, da pequenez, da humilhação. Jesus é o absurdo de Deus, o contraditório total. Nasceu na periferia, cresceu na roça e na carpintaria (nada de palácios e honrarias), saiu em missão pelas beiras e fronteiras, foi batizado por um revolucionário, assumiu uma pedagogia da libertação e da liberdade total que pressupõe vida, esperança, autonomia e dom. Só podia mesmo ser o Filho de Deus. De Deus que sempre se utilizou das contradições.
Sim, esse é o tempo espiritual por excelência de abraçar nossa humilhação. E aqui está Deus. Bem onde está a nossa fraqueza, a nossa dúvida, a nossa falta de esperança, a nossa incredulidade, o nosso desespero, o nosso cansaço até de rezar. É uma mistura de cruz, calvário, morte e ressurreição de todo santo dia. E é assim que experimentamos Deus. É assim, abandonados, que ganhamos o abraço mais forte, a cura mais necessária, o sentido mais profundo.
Porque é no absurdo da fé, na loucura da esperança, “na fraqueza que me sinto mais forte” (2Cor 12,10).
Pe. Maicon A. Malacarne
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