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Religião

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Filipe reclama, André procura!

A solução de uma dificuldade é a imagem de uma grande mesa, sem acúmulos e regada de pessoas partilhando!

Por: . Maicon A. Malacarne
Fotos: Reprodução

Somos uma mistura de Filipe e de André diante de um problema! O evangelho de hoje apresenta Jesus e os discípulos em situação difícil: uma multidão de pessoas que os seguiam não tinham o que comer! O texto apresenta duas posturas que não são opostas, mas podem habitar juntas: de um lado, Filipe, não via saída e tentava justificar que a única possibilidade era mandar todos embora para que cada um resolvesse por conta. De outro lado, André, com atenção e disposição, procurava uma possibilidade até visualizar um menino que tinha cinco pães e dois peixes (Jo 6,1-15).

As posturas de Filipe e de André podem representar as nossas tensões mais existenciais. Não se trata apenas de otimismo ou pessimismo, de positividade ou negatividade, que são polos difíceis de harmonizar e, por isso, sempre tendem a contradição. De fato, ninguém é otimista e positivo o tempo todo e o mais importante é viver cada momento da vida com o equilíbrio justo, com as possibilidades que se apresentam, com as brechas por onde passa a luz.

Hamlet, o príncipe da Dinamarca, na tragédia de Shakespeare, em determinado momento começa a murmurar: «palavras, palavras, palavras, apenas palavras que desaparecem no ar porque não contêm nada, nascendo do nada que tem dentro.» E, sintetiza: «cada murmúrio é um desastre!» Nossa história pessoal pode ser contada pelos murmúrios e pelas reclamações que tomam parte do nosso dia. Alguns escolheram o caminho da lamentação – o famoso ‘não é comigo – e deram tanto espaço para o «Filipe» que o «André» já não tem mais vez. No entanto, esta cena do evangelho em que todos, felizes, comem juntos só é possível quando deixamos o «André» ser mais forte, quando a busca, a procura é o nosso alfabeto!

A solução de uma dificuldade é a imagem de uma grande mesa, sem acúmulos e regada de pessoas partilhando! Faz lembrar aquilo que a Igreja chama de primado: «o destino universal dos bens» (Catecismo da Igreja Católica, 2403). Esse continua sendo o grande desafio da humanidade que precisa mais espaço para o «André» que mora em nós!

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