Iluminar!
A meditação do evangelho de hoje faz lembrar do Eduardo Galeano.
A meditação do evangelho de hoje faz lembrar do Eduardo Galeano. Certa altura, no Livro dos Abraços, ele escreveu uma história:
«Um homem da aldeia de Neguá, no litoral da Colômbia, conseguiu subir aos céus. Quando voltou, contou. Disse que tinha contemplado, lá do alto, a vida humana. E disse que somos um mar de fogueirinhas. – O mundo é isso, revelou, um montão de gente, um mar de fogueirinhas. Cada pessoa brilha com luz própria entre todas as outras. Não existem duas fogueiras iguais. Existem fogueiras grandes e fogueiras pequenas e fogueiras de todas as cores. Existe gente de fogo sereno, que nem percebe o vento, e gente de fogo louco, que enche o ar de chispas. Alguns fogos, fogos bobos, não alumiam nem queimam; mas outros incendeiam a vida com tamanha vontade que é impossível olhar para eles sem pestanejar, e quem chegar perto pega fogo».
Jesus disse a multidão que a luz é alguma coisa que não pode permanecer escondida: «Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama; ao contrário, coloca-a no candeeiro, a fim de que todos os que entram, vejam a luz» (Lc 8,16-18). Luz para iluminar! Imaginemos que no tempo de Jesus não existia luz elétrica. Alguém chegar com uma vela e esconder era totalmente sem sentido.
O convite é não se esconder do real, não fugir da história que estamos implicados. Assim também é com Deus: para além de saber tudo sobre Deus, é necessário deixar que a sua luz se espalhe pela nossa vida, e se traduza em vida iluminada. Guardar, esconder a luz é guardar e esconder aquilo que somos. Valter Hugo Mãe, um português visceral, traduziu essa transcendência do meio do seu ateísmo: «quem deixou sobre o coração um feixe de luz, não cega nunca!».