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Internet muda conceito de informação e atrai leitores para o meio digital

O avento da internet e as novas tecnologias transformaram significativamente a sociedade. As primeiras mudanças no início do século XXI determinaram com a comunicação sem fio, a Era da informação.

Por: Everson

Em geral, todos sentem a profundidade desta mudança tecnológica no cotidiano, sejam empresas, pessoas ou instituições. A velocidade e o alcance destas transformações, modificaram nossa vida nas mais diferentes áreas como a educação, política e até mesmo a forma de nos relacionarmos. A grande chave para compreendermos a internet é o amplo acesso a informação. Houve um tempo em que as pessoas tinham que ler um livro ou fazer uma viagem para obter conhecimento. Hoje não é diferente, mas a facilidade de poder buscar conhecimento sem sair do lugar é o grande diferencial.

Na educação os alunos já não mais os mesmos e os professores também não. A tecnologia modificou a forma de aprender e ensinar também. Segundo o professor de Sociologia, da Universidade Federal da Fronteira Sul, Paulo Muller, o papel do educador tem apontado, cada vez mais, para o caráter mediador da ação pedagógica. “O que as redes sociais trazem como desafio, é o fato de que a mediação exercida pelo educador já não desenvolve somente conteúdos, mas também formas de se relacionar com o conhecimento. Aulas, por exemplo, já não são centrais para o processo de aprendizagem, pois as fontes das quais o professor fala em aula estão constantemente disponíveis”, destaca ele.

Por outro lado, de acordo com o professor, o estudante precisa ser cada vez mais autônomo, e para isso precisa saber escolher – que seria o mesmo que mediar – as informações de forma crítica, mas não é o que se observa. “Cada vez mais a disponibilidade de informações padronizadas e repetidas em diversas fontes da internet tem feito que estudantes acreditem que a informação mais acessível é a única existente, levando a que copiem – frequentemente cometendo plágios sem nem perceberem – o que encontram na internet”, pontua Paulo Muller.

As formas de se expressar, emitir e receber informação já não são mais as mesmas. Em um contexto social e democrático, podemos identificar mudanças significativas no comportamento das pessoas. O sociólogo explica, “que certamente há contribuições, mas que não estão relacionadas necessariamente com os mecanismos de compartilhamento instantâneo, mas que houve uma intensificação do processos organizativos, como a formação de coletivos com bandeiras políticas ou propostas alternativas de organização produtiva, sem os modificar de forma substancial”.

Ele ainda ressalta que “ a necessidade generalizada de interconexão provocada pela informatização e digitalização da vida institucional dos países fez com que informações que no passado eram indecifráveis para quem não pertencia ao meio político e burocrático, hoje sejam passíveis de múltiplas usos e interpretações. “É o caso do que acontece com os dados vazados pelo site Wikileaks, que disponibiliza informações confidenciais das políticas de Estado de diferentes potências ocidentais, tornando objeto de debate diplomático temas que anteriormente eram assuntos domésticos, mas que afetavam, e afetam, diferentes partes do mundo. Obviamente, nesse caso a democratização se torna possível a partir do risco de vazamento implicado no processo de organização virtual dessas informações”, explica.

Na internet as pessoas e organizações ficam cada dia mais expostas e muitas perdem o direito da privacidade sem perceber. A participação em redes sociais, blogs e outros meios interativos, fornecem informações que muitas vezes, podem ser usadas de forma errada. Paulo Muller conclui que o uso da informação é o que determina o modo como ela afeta as relações sociais. “Se informações hackeadas de instituições governamentais podem servir para promover o debate sobre democracia em escala global, também podem ser utilizadas para gerar estratégias de contraespionagem ou mesmo de refinamento de políticas de intervenção dos países hegemônicos no resto do mundo. Isso não quer dizer que os meios são neutros. O tipo de organização e interação possível entre pessoas que se comunicam mais pelas redes sociais certamente é diferente dos grupos que se organizam mais presencialmente. É preciso que, como usuários destas tecnologias, saibamos escolher quais as formas de interação que mais nos interessam, e não achar que a partir de agora as redes sociais são a única forma de interação com o mundo, muito embora elas se imponham cada vez mais”, disse Paulo.

“Os benefícios da utilização da internet são inúmeros, mas vale lembrar que como qualquer outro meio de comunicação, é preciso discernimento e cautela ao utilizar e fornecer dados. A dica é sempre buscar fontes confiáveis”, completa o sociólogo.

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