Juiz de Fora pode se tornar primeira cidade com mais de 500 mil habitantes a adotar transporte público gratuito
O projeto estabelece gratuidade total no transporte coletivo para todos os usuários, com financiamento garantido por um fundo municipal sustentado principalmente por grandes empregadores.
A cidade de Juiz de Fora (MG) está próxima de alcançar um marco inédito no Brasil: tornar-se a primeira com população superior a 500 mil habitantes a implantar tarifa zero no transporte coletivo urbano. A proposta foi formalizada pela prefeita Margarida Salomão (PT), que protocolou um projeto de lei na Câmara Municipal na última segunda-feira (23). A medida ainda passará por análise das comissões parlamentares, como as de Legislação, Orçamento e Transporte, antes de ser votada.
Segundo a prefeita, a iniciativa representa uma nova abordagem para a mobilidade urbana. “É uma mudança de paradigma. A tarifa zero é uma conquista civilizatória, que aproxima as pessoas, dinamiza a economia e melhora a vida na cidade”, destacou.
O plano prevê a criação de um fundo municipal para custear o sistema, eliminando a cobrança direta aos passageiros — que hoje pagam R$ 3,75 por viagem. Empresas com mais de dez funcionários passarão a contribuir com o fundo por meio de uma tarifa técnica, substituindo o modelo atual de vale-transporte. Pequenos empregadores estarão isentos dessa contribuição.
A gratuidade será universal para todas as pessoas físicas, mediante o uso de um cartão eletrônico sem custo. A Prefeitura pretende iniciar a distribuição dos cartões em até 30 dias após a aprovação do projeto.
Com a eliminação da tarifa, espera-se um impacto positivo nas camadas mais vulneráveis da população, especialmente em relação ao acesso a serviços essenciais como trabalho, educação e saúde. A prefeita citou dados de programas anteriores, como o “Domingão do Busão”, que já mostraram aumento na adesão ao transporte público — aos domingos e feriados, o número de passageiros cresceu 14%.
Estudos desenvolvidos por especialistas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) apontam que, até 2040, a política poderá impulsionar o consumo das famílias em quase 30%, com efeitos positivos para o comércio, os serviços e a indústria local. Também se estima um crescimento de 9,1% no nível de empregos. O impacto econômico total pode ultrapassar R$ 1,7 bilhão — mais do que o custo previsto para manter o fundo.
Do ponto de vista ambiental, a medida tende a incentivar o uso do transporte coletivo, contribuindo para a redução do tráfego de veículos particulares, da emissão de gases de efeito estufa e da poluição sonora. A renovação da frota, com veículos movidos a fontes menos poluentes, como eletricidade ou gás, também está entre os planos da administração municipal.
Para a prefeita, a proposta conjuga inclusão social, desenvolvimento sustentável e fortalecimento econômico. “Quando se alivia o orçamento das famílias mais pobres, elas consomem mais e movimentam a economia. É uma escolha estratégica para o futuro da cidade”, concluiu.