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Ligamento cruzado anterior: por que a lesão é uma das mais temidas por atletas

Frequente no futebol e no esporte amador, a ruptura do LCA afasta o atleta dos campos por meses e cobra uma decisão rápida sobre o tratamento.

Por: ASCOM
Fotos: Magnific

A jogada é banal. O jogador apoia o pé no gramado, gira o corpo para mudar de direção e sente um estalo seco dentro do joelho. Em segundos vem o inchaço, a sensação de que a articulação saiu do lugar e a dor que tira qualquer chance de continuar em campo.

Cenas assim se repetem nos campeonatos amadores do interior gaúcho todo fim de semana, longe das manchetes que costumam acompanhar as lesões dos jogadores profissionais.

O nome técnico do que aconteceu assusta quem ouve pela primeira vez: ruptura do ligamento cruzado anterior, o LCA. É a mesma lesão que afastou nomes conhecidos do futebol brasileiro por temporadas inteiras e que, no esporte amador, raramente recebe a atenção que merece. Muita gente trata o episódio como uma simples torção e volta a jogar antes da hora.

O aumento do número de praticantes de esporte, do futebol de fim de semana ao futsal de quadra coberta no inverno, trouxe junto um aumento das lesões de joelho.

E, entre todas elas, a do LCA é a que mais tira o atleta de cena, justamente por exigir um tratamento longo e, na maioria dos casos de quem quer voltar a competir, cirúrgico.

A peça que segura o joelho no lugar

O ligamento cruzado anterior é uma estrutura curta e resistente que liga o fêmur à tíbia, no centro do joelho. Sua função é impedir que a tíbia deslize para a frente e controlar os movimentos de rotação da articulação. Sem ele, o joelho perde a referência de estabilidade que permite frear, girar e mudar de direção com segurança.

Conforme experientes médicos ortopedistas do COE, clínica especializada em ortopedia em Goiânia, esportes que exigem pivô, como o futebol, o futsal, o basquete e o handebol, colocam esse ligamento sob carga constante.

O joelho suporta o peso do corpo somado à força gerada ao correr, saltar e aterrissar. Cada arranque seguido de parada brusca testa o limite da estrutura.

A lesão que acontece sem ninguém encostar

Ao contrário do que muita gente imagina, a maioria das rupturas do LCA não vem de uma entrada violenta ou de um choque entre jogadores. Elas acontecem sem contato, no momento em que o atleta desacelera de repente, gira o corpo com o pé fixo no chão ou cai de um salto com o joelho mal posicionado. O próprio movimento do esporte rompe o ligamento.

Esse padrão ajuda a explicar por que a lesão atinge tanto o jogador profissional quanto o amador que joga uma vez por semana. Estudos brasileiros mostram ainda que as mulheres têm risco maior: a incidência em situação de jogo chega a 0,871 lesão a cada mil horas entre atletas mulheres, contra 0,507 entre os homens, diferença ligada a fatores anatômicos, hormonais e de controle muscular.

O que dizem os números

Levantamentos da ortopedia esportiva brasileira ajudam a dimensionar o problema. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo publicado na Revista Brasileira de Ortopedia, que acompanhou 240 pacientes com lesão no joelho ligada ao esporte, registrou taxa de 0,523 lesão de LCA a cada mil horas de jogo entre praticantes de futebol.

Na mesma pesquisa, a lesão isolada do ligamento respondeu por 44,58% dos casos, enquanto 30,2% combinavam ruptura do LCA com lesão de menisco.

A associação entre as duas lesões é um dos pontos que mais preocupam. Quando o ligamento se rompe e o atleta continua jogando, o joelho instável passa a sobrecarregar o menisco e a cartilagem, e o que era um problema isolado vira uma lesão combinada.

No conjunto da população, estimativas apontam de 30 a 78 casos de lesão de LCA para cada 100 mil pessoas por ano, número que sobe nas faixas mais ativas. A literatura internacional contabiliza mais de 250 mil casos por ano em atividades que envolvem rotação do joelho.

Por que o diagnóstico não pode esperar

O LCA tem uma característica que muda tudo no tratamento: ele é mal vascularizado. Recebe pouco sangue e, por isso, praticamente não cicatriza sozinho depois de uma ruptura completa. Diferente de um músculo, que se recupera com repouso, o ligamento rompido não volta a se unir, e o joelho segue instável a cada movimento de pivô.

Aqui o tempo joga contra o atleta. Dr. Ulbiramar, especialista em joelho, afirma que cada semana de joelho instável significa novos microtraumas na cartilagem e no menisco, e que a demora entre a lesão e o diagnóstico costuma transformar um caso simples em uma cirurgia mais complexa. O atleta que insiste em jogar com o ligamento rompido troca alguns jogos a mais por um dano que pode se tornar definitivo.

As consequências aparecem no longo prazo. Pesquisas reunidas na base SciELO mostram que atletas com histórico de lesão no joelho têm risco elevado de desenvolver artrose, chegando a 63% dos casos, contra 33% entre os que nunca se lesionaram. Ignorar o problema, portanto, não é só perder a temporada atual, mas comprometer a saúde da articulação por décadas.

O caminho do tratamento e a volta aos campos

O tratamento depende do perfil do paciente e do nível de atividade. Para quem leva vida sedentária e não pratica esportes de pivô, em alguns casos é possível seguir um caminho conservador, com fisioterapia e fortalecimento muscular. Já para o atleta que quer voltar a correr, girar e disputar a bola, a reconstrução cirúrgica costuma ser o caminho indicado.

A cirurgia não “cola” o ligamento antigo. O procedimento reconstrói o LCA com um enxerto, em geral um fragmento de tendão do próprio paciente, que assume a função da estrutura rompida. Feita por artroscopia, com pequenas incisões, a operação tem hoje recuperação mais previsível do que há duas décadas, embora ainda exija paciência.

A recuperação completa leva de seis meses a um ano, com fisioterapia desde os primeiros dias. Por isso, procurar um ortopedista especialista em joelho logo após a lesão faz diferença direta no resultado.

O diagnóstico preciso, feito com exame clínico e ressonância, define se há lesões associadas e qual o melhor momento para operar. Voltar cedo demais, antes da liberação, é uma das principais causas de nova ruptura.

Como escolher quem vai cuidar do joelho

A escolha do profissional pesa tanto quanto a decisão de operar. Cirurgia de LCA é território de subespecialista. Um ortopedista com formação específica em joelho conhece as variações da lesão, sabe identificar danos associados no menisco e na cartilagem e domina as técnicas de reconstrução que reduzem o risco de nova ruptura.

A experiência prática do cirurgião também conta. Volume de cirurgias realizadas, uso de artroscopia e de recursos como a navegação computadorizada e o acompanhamento de uma equipe de reabilitação são sinais de que o paciente está em boas mãos. Esses detalhes influenciam diretamente a chance de voltar ao esporte no mesmo nível de antes.

Pedir uma segunda opinião antes de marcar a cirurgia é prática comum e bem-vista. Nenhum bom especialista se incomoda com isso, e a conversa ajuda o atleta a entender o plano de tratamento, o tempo de afastamento e as expectativas reais de recuperação.

Segundo os melhores ortopedistas de Goiânia, cidade que se firmou como referência em cirurgia de joelho no Centro-Oeste, o resultado depende menos da pressa em voltar e mais do respeito ao tempo biológico de integração do enxerto. Forçar etapas é a causa mais comum de uma segunda cirurgia.

O que o atleta amador não pode ignorar

Boa parte do problema poderia ser reduzida com prevenção. Trabalho de fortalecimento muscular, treino de equilíbrio e de aterrissagem, aquecimento adequado e atenção ao excesso de peso diminuem a sobrecarga no joelho. Cada quilo a mais no corpo representa cerca de quatro quilos de carga extra sobre a articulação durante a corrida.

Tão importante quanto prevenir é não banalizar o sintoma. Um joelho que incha, falseia ou trava depois de uma torção merece avaliação, mesmo que a dor passe em poucos dias. A sensação de que o joelho “sai do lugar” é um dos sinais clássicos de lesão do LCA e não deve ser empurrada para depois.

No esporte amador, onde não há departamento médico nem pressa de contrato, a tentação de deixar passar é grande. Mas o joelho cobra. Tratar a lesão do ligamento cruzado anterior no tempo certo, com o especialista certo, é o que separa quem volta a jogar de quem convive com um joelho instável pelo resto da vida.

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