Maria, Senhora do Carmo!
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É mais fácil seguir Jesus «do lado de fora»! O lado de fora é uma espécie de molhar o pé sem mergulhar no mar. É bom em determinados momentos, mas é pouco para a grandeza daquilo que está em jogo. A fé sem «se molhar inteiro» pode ser «margem da fé», falta o passo a mais. De fora, o risco é permanecer nas análises sistemáticas, nas críticas sem compromisso, no julgamento isolado de critérios. Olho, julgo, divulgo, vou embora!
Na festa de Nossa Senhora do Carmo, o Evangelho recorda o grande convite a participar da família de Jesus (Mt 12,46-50). Ele inaugurava uma nova gramática do Pai: «aquele que faz a Sua vontade é minha mãe, meu irmão e minha irmã». No fundo, é preciso passar do «lado de fora» para o «lado de dentro», o lado da intimidade, o lado da proximidade, o lado do compromisso com um novo estilo de vida.
Maria é o modelo de quem realizou essa tarefa: foi Mãe e foi discípula, aprendeu a dar o salto de fora para dentro, porque abriu-se a graça. De fato, poeta e romancista italiano Erri de Lucca escreveu um livro chamado «Em nome da mãe», cuja protagonista é Miriam (Maria, em hebraico) que narra a história em primeira pessoa. O texto é lindo e já na introdução o autor diz algo tremendo: «‘em nome do Pai’ é onde começa o sinal da cruz e a fé, ‘em nome da mãe’ é onde começa a vida’». Há também um belíssimo diálogo entre José e Maria:
«‘Miriam, sabes o que é a graça?’ ‘Não exatamente’, respondi. ‘Não é um modo de andar atraente, não é o porte altivo de certas mulheres, que gostam de se exibir. É a força sobre-humana de enfrentar o mundo sozinha, sem esforço, desafiá-lo para um duelo completo sem nem sequer se despentear. Não é algo feminino, é dote de profetas. É um dom, e tu o recebeste. Quem o possui está libertado de qualquer temor. Eu o vi em ti na noite do encontro, e desde então o tens sobre ti. És cheia de graça. Ao teu redor há uma barreira de graça, uma fortaleza. Tu a espalhas, Miriam: até mesmo sobre mim’. Eram palavras que mereciam abraços».