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Nostalgia: psicóloga de Erechim fala sobre a ligação de desenhos animados com o sentimento

Veja quais impactos os desenhos podem causar na infância e na vida adulta

Por: Andressa Dall'Agnol e Caendy Carvalho
Fotos: Arquivo Pessoal

Os desenhos animados fizeram sucesso na televisão no final dos anos 90 e início dos anos 2000, sendo responsáveis por marcar a infância de uma geração. Até os dias de hoje eles são lembrados e despertam um importante sentimento em que viveu essa época: a sensação de nostalgia.

A psicóloga Marjana Gasparin, especialista em clínica psicanalítica, explica como esse sentimento acontece. “A nostalgia é um sentimento de saudade aliado ao desejo de voltar para aquele estado, para aquele exato momento. Ele pode ser considerado um sentimento um pouco contraditório, já que ao mesmo tempo que sente felicidade pela lembrança, também sente tristeza por aquele momento já ter chegado ao fim”, explica a psicóloga.

Segundo a psicóloga, a nostalgia pode ter efeitos tanto positivos quanto negativos na vida do indivíduo. “O sentimento pode ser prejudicial quando a pessoa não consegue se desprender dele e fica a vida toda tentando repeti-lo. A grande verdade é que a situação nunca vai acontecer duas vezes da mesma forma, nem ter os mesmo prazeres da primeira vez que provamos ou vivemos algo. Muitas pessoas utilizam desse sentimento para fugir das dificuldades do presente, idealizando os acontecimentos do passado como maravilhosos”, explica.

“Mas também tem pontos positivos. A nostalgia possibilita o reconhecimento e a conexão com a própria história, além de fornecer um lugar de conforto e esperança em momentos de dificuldade”, complementa Marjana.

Como o consumo de desenho animado pode afetar o individuo ao longo da vida?

No passado, algumas situações assistidas pela televisão nem sempre faziam sentido ou eram compreensíveis durante a infância.

Hoje, ao relembrar os desenhos animados da infância, algumas percepções diferentes podem surgir em relação a história, personagens ou até mesmo diálogos específicos. “Desenhos infantis sempre transmitem mensagens e é muito interessante ver como algumas são entendidas somente na vida adulta. Isso demonstra que nosso psiquismo só absorve aquilo que está pronto para entender em determinada idade. O que está além da compreensão para criança passa batido. Essas situações só vamos entender mais tarde”, explica a psicóloga.

Segundo a psicóloga, apenas os desenhos não conseguem afetar a constituição de uma criança, mas aliado a fatores externos, pode gerar reprodução ou identificação por parte da mesma. “A criança começou a apresentar medos, inseguranças similares aos vividos no desenho? Precisamos olhar para realidade daquela criança. O que está acontecendo na escola e em casa, como está o relacionamento com a família, quais problemas essa criança está enfrentando. Quando a criança se identifica com algum personagem que sofre nos desenhos, normalmente é porque tem algo similar ocorrendo na realidade dela”, alerta Marjana.

A psicóloga lembra da importância dos pais monitorarem o que o filho assiste e estar de olho na faixa etária dos desenhos. “Alguns desenhos não são para o público infantil, como por exemplo Os Simpsons, A Festa da Salsicha, não são recomendados para as crianças. O ideal é que os pais estejam super atentos a faixa etária indicada daquele desenho para evitar traumas na criança”, finaliza.

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