O amor aos perdidos!
Ao mesmo tempo que o evangelho de hoje é um ícone do amor-misericórdia, é também uma grande chamada de atenção, especialmente das pessoas religiosas, que corem o risco de se considerar mais puras e sagradas (Lc 15,1-10).
Há uma potência que só os perdidos conhecem: serem encontrados no amor! De fato, de nada adianta uma máscara de perfeição quando centrada no egoísmo, na vanglória, na autossuficiência, na virtude sobre si mesmo. A moeda perdida e a ovelha perdida contam as histórias mais bonitas da possibilidade de deixar-se encontrar.
Quem encontra é o amor! Só o amor é capaz de «deixar tudo», de «procurar» de «varrer até encontrar», de «fazer festa»! Só o amor consegue ser feliz com quem se perdeu! Muitos que se autodenominam virtuosos, correm o risco de se preocupar mais em fazer alguma análise moral, verificar os códigos de conduta, considerar a rigidez, avaliar as normas… Para esses, está reservada a distância da festa dos que se deixaram encontrar! É que a virtude sem a fecundidade do amor é fechada e fachada!
Nenhuma situação, nenhuma experiência, por mais «perdida» que possa ser, é bloqueada de encontrar o amor! Deus é a fonte que corre ao encontro porque é amor sempre aberto. Não significa dizer que não ama as 99 ovelhas, as 9 moedas. Ama, ama, mas ama de tal maneira que se expande, que descentraliza, que fecunda o amor para gerar mais amor. Amor bloqueado, fechado, é amor que termina, não é o amor de Deus!
Ao mesmo tempo que o evangelho de hoje é um ícone do amor-misericórdia, é também uma grande chamada de atenção, especialmente das pessoas religiosas, que corem o risco de se considerar mais puras e sagradas (Lc 15,1-10). É fundamental meditar sobre a qualidade da vida, sobre o amor, sobre os julgamentos, sobre as vaidades, sobre a distância que podemos estar do evangelho! Na pretensão de sermos os melhores, talvez, somos os perdidos que Deus procura encontrar para furar a bolha e gerar um amor por fora da autorreferencialidade.