O amor fala mais alto sob todas as coisas: casal fala sobre preconceito e relação homoafetiva
No comando do programa Salto Alto, Maitê Smaniotto, entrevistou um casal de lindas mulheres que vivem uma relação homoafetiva. Ângela Detoni e Simone Nunes contaram um pouco dessa relação cheia de amor e também a opinião delas a respeito dos preconceitos e de que forma a sociedade encara essa situação
Quebrar o preconceito e falar de todas as formas de amor. Este foi o tema do Programa Salto Alto da rádio Atmosfera nesta sexta-feira, 24.
No comando do programa Salto Alto, Maitê Smaniotto, entrevistou um casal de lindas mulheres que vivem uma relação homoafetiva. Ângela Detoni e Simone Nunes contaram um pouco dessa relação cheia de amor, carinho, muita afetividade e a opinião delas a respeito dos preconceitos e de que forma a sociedade encara essa situação.
Segundo Angela Deton, as escolas não estão preparadas para lidar com o tema homoafetividade. “Eu percebi a minha orientação sexual ainda na adolescência,morando no interior, dá um medo, as escolas não estão preparadas para lidar com isso e em muitas vezes os pais também não estão preparados. Então tu acaba sofrendo na escola, quando chega em casa, sem conseguir se abrir, tu vai falando com um amigo e tu vai sentindo algo de diferente. Até tu entender que aquilo não é errado e não está fazendo mau pra ninguém, sem apoio de pessoas é muito difícil, é complicado e leva um bom tempo”, relata Angela.
Simone Nunes perguntava-se no início, se era possível estar acontecendo a homoafetividade com ela. “Eu fui criada sem preconceito nenhum dentro da minha casa e de repente aconteceu comigo. Então me perguntei, não pode ser comigo? mas era. As coisas foram acontecendo, é bonito, assusta e eu não tenho do que me envergonhar. Eu acho que se deve tirar o preconceito e criar o teu filho sem preconceito, preparar ele para ser feliz e amar igual a todo mundo, independente do que for. Quando acontecer. As coisas foram acontecendo, mas eu nunca cheguei para minha mãe e contei.Eu tinha muito claro para mim que eu não estava fazendo mal para ninguém. O amor fala mais alto sob todas as coisas”, conta Simone.
Para Angela Detoni, superar o preconceito em cidade pequena foi ainda mais difícil. No começo foi bem complicado, naquela época não se falava no assunto. Em nenhuma escola que eu estudei falaram no assunto e com os pais também era difícil. Quando tu chega na adolescência a gente não sabe nem quando se é heterossexual e falar quanto ao menino que a gente gosta, quanto mais ter força para chegar em casa e falar que gosta de uma menina. Eu só consegui me abrir sobre o assunto quando eu fui embora de Erechim e conheci outras pessoas e vi que aquilo era uma realidade e era aquilo que eu sentia. Tanto dentro de casa, como fora de casa foi muito difícil. Hoje em dia os gays lutam muito para poder conquistar qualquer espaço tanto profissional como na sociedade, principalmente no interior onde todo mundo se conhece e rola os comentários: Ah, eu não vou nesse profissional porque ele é gay ou não vou sair com essa pessoa publicamente porque vão achar que eu sou gay também”, relata Angela.
Simone relata sobre preconceito na internet. “Esses tempos eu coloquei uma foto na rede social. Teve várias curtidas e uma amiga de muito tempo foi lá e respondeu com uma carinha triste. No primeiro momento eu pensei: ah, ela deve ter se enganado. Aí tu pensa que não pode ser. Aí vai lá e pergunta. A nossa união é o que me deixa mais feliz e eu não preciso esconder nada. A minha filha tem 16 anos no próximo mês e nós temos uma vida muito feliz. A minha família envolve nós, a minha mãe e minha filha que aceita muito bem. Esse preconceito dentro de casa nunca existiu”, explica Simone.
Confira a entrevista na íntegra acessando o link abaixo:
https://soundcloud.com/user-140103107/entrevista-com-angela-e-simone-no-programa-salto-alto