Onde está a vida que perdemos vivendo?
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A poesia de T.S Eliot abre uma gramática importante para meditar a Liturgia da Palavra deste 18º Domingo do Tempo Comum: «onde está a vida que perdemos vivendo? Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento? Onde está o conhecimento que perdemos na informação?» No clássico «Os miseráveis», Victor Hugo escreveu que «morrer não é nada, o mais difícil e mais assustador é não viver». Trata-se do perigo de viver uma vida de mentira!
No evangelho, Jesus apresenta uma das formas de se perder na vida: «tomai cuidado contra todo tipo de ganância, porque, mesmo que alguém tenha muitas coisas, a vida de um homem não consiste na abundância de bens». Jesus estava respondendo a uma pergunta sobre divisão de herança, um problema antigo e sempre novo, que destrói muitas relações. A parábola do homem rico que construiu celeiros cada vez maiores para «guardar» toda sua riqueza, conclui com a sentença: «louco! Ainda nesta noite pedirão de volta a tua vida. E para quem ficará o que acumulaste?» (Lc 12,13-21).
A ganância, o acúmulo, as vaidades são como um sopro, poeira, não tem raiz, não tem fundamento, logo se esvai. É a forma mais fácil de viver uma vida fútil, sem sentido. Aquilo que aparentemente é tudo, logo se transforma em nada, em vazio. A pergunta do Eclesiastes, irônica e selvagem, é muito real: «que resta o homem de todos os trabalhos e preocupações?» (Ecl 2,21-23). A vida é para ser vivida agora! A felicidade é a capacidade de acolher o instante, a preciosidade de cada respiro, com o olhar aguçado ao futuro. São Paulo, aos Colossenses, diz que essa é a vida ressuscitada: «esforçai-vos para alcançar as coisas do alto» (Cl 3,1-5.9-11).
A Palavra de Deus é um respiro suave no meio da agitação dos nossos dias e é um alerta para o risco de viver sem viver, viver uma vida de mentira e despertar, sem demora, a vida verdadeira que está adormecida em nós.