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Oposição e ex-aliados apresentam novo pedido de impeachment contra Bolsonaro

Chamado de “superpedido” pelo tamanho do apoio angariado, o documento reúne 23 acusações de crime

Por: BBC

Partidos de oposição, movimentos sociais e parlamentares de centro-direita apresentaram nesta quarta-feira, 30, um novo pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Chamado de “superpedido” pelo tamanho do apoio angariado, o documento reúne 23 acusações de crime de responsabilidade contra o chefe do Palácio do Planalto.

O texto é assinado por 11 partidos: PT, Psol, PCdoB, PDT, PSB, UP, PCO, Rede, PSTU, PCB e Cidadania. O pedido conta ainda com o endosso de movimentos como a União Nacional dos Estudantes, Frente Povo Sem Medo, Frente Brasil Popular e Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de ex-aliados de Bolsonaro, como os deputados federais Alexandre Frota (PSDB-SP), Joice Hasselmann (PSL-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP).

Esse “superpedido” já vinha sendo articulado pelos opositores ao governo há pelo menos três meses, no entanto, as recentes acusações envolvendo a compra da vacina Covaxin pelo Ministério da Saúde acabaram embasando o discurso dos parlamentares. Na segunda-feira (28), senadores apresentaram uma notícia-crime contra Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) sob acusação do crime de prevaricação no caso Covaxin. Até o momento, mais de 120 pedidos de impeachment contra Bolsonaro já foram protocolados na Câmara, mas nenhum aberto pelo presidente da Casa, a quem cabe a palavra final.

“Esse novo pedido reúne os mesmos argumentos dos outros 120 pedidos de impeachment que estão nas gavetas do presidente da Câmara. Ele elenca as 23 acusações contra o presidente Jair Bolsonaro”, destacou o líder da minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE).

Integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri afirmou que esse novo pedido está acima de qualquer “picuinha ideológica” entre os 46 signatários. “É uma causa suprapartidária e que permeia partidos políticos do centro e da esquerda. É uma questão de moral e de rechaçar uma ação criminosa”, disse.

“Não se trata de uma questão ideológica e sim de Brasil, nós temos hoje o pior presidente da história do Brasil, alguém que conseguiu desmoralizar até mesmo o Exército brasileiro. A minha moralidade não é seletiva, e eu fui a primeira da direita a sair com a popularidade dele ainda estava aqui ó [alta]”, disse Joice Hasselmann, que chegou a ser líder do governo Bolsonaro na Câmara.

Os opositores acreditam que com o andamento das investigações da CPI da Covid no Senado e com as convocações de manifestações de ruas, a pressão sobre o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), deve aumentar. Aliado do presidente Bolsonaro, Lira já afirmou recentemente que não via condições políticas para um processo de impeachment.

“Não vejo ambiente para criar instabilidade. Nos meus ombros, nesse momento, não queria a responsabilidade e não acho que seja adequado”, disse Lira durante live do portal Jota. A declaração ocorreu um dia antes do depoimento dos irmãos Miranda na CPI da Covid.

Aos senadores, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Fernandes Miranda alegou que ele e seu irmão, o deputado Luís Miranda (DEM-DF), avisaram o presidente Bolsonaro sobre suspeitas de irregularidades no contrato de compra da Covaxin, produzida pela farmacêutica indiana Bharat Biotech. O preço acordado pelo governo brasileiro, de US$ 15 por vacina (R$ 80,70), ficou acima do inicialmente previsto pela empresa, de US$ 1,34 por dose. O gasto total seria de R$ 1,6 bilhão.

Segundo os irmãos Miranda, Bolsonaro não teria tomado nenhuma atitude contra o problema e teria citado o nome do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), como possível envolvido no esquema. Tanto o Palácio do Planalto quanto Ricardo Barros negam as acusações.

Nesta terça-feira, 29, uma nova denúncia envolvendo a contratação de vacinas veio a público depois que o empresário Luiz Paulo Dominguetti Pereira afirmou ao jornal Folha de S. Paulo que o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, teria pedido o valor de US$ 1,00 em propina por dose da vacina da AstraZeneca/Oxford cuja compra estaria em negociação.

Dias foi exonerado nesta quarta-feira, 30, e o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que o contrato de compra da Covaxin seria suspenso.

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