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Religião

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Perder tudo para ganhar tudo – a sabedoria de Deus!

Confira

Por: Pe. Maicon A. Malacarne
Fotos: Reprodução

As grandes multidões que seguiam Jesus – às vezes, como hoje, por motivos duvidosos – são desafiadas a aprofundar o significado do discipulado, ou, iluminados pela Primeira Leitura, a sabedoria do discipulado que jamais pode ser confundida como uma busca por desejos pessoais, senão por configurar um novo estilo de vida por dentro do evangelho.

A primeira condição colocada por Jesus é o desapego (v. 26). Desapegar não é esquecer, um “deixar pra lá” sem fundamento. Desapegar é discernir o que é prioritário e o que é secundário, é a atenção com os pesos e medidas da vida. Jesus estabeleceu este critério não como desatenção ao pai, a mãe, a mulher e aos filhos, mas de viver todas as relações à luz do mistério do discipulado: perder tudo para ganhar tudo! Gosto muito de rezar o desapego com as palavras do poeta Charles Péguy: “Fazei com que o vosso exame de consciência seja como o limpar os sapatos: não aconteça que leveis continuamente convosco a lama ou a recordação da lama no vosso caminho”. A lama e a recordação da lama são pesos que não precisamos carregar!

O seguimento a Jesus exige ainda outra condição: carregar a cruz (v. 27). Não se trata de um elogio ao heroísmo do discípulo, nem mesmo de aplausos aos sofrimentos: “carregar a cruz” é um convite para viver o cotidiano com as suas exigências, com suas medidas, que nem sempre são fáceis. Quando ouvimos algo sobre a cruz já imaginamos morte, tragédia. Jesus ajuda a compreender uma outra dimensão da cruz que é aquela do dia a dia, da repetição, os sofrimentos que todos estamos atravessados, no cansaço, na convivência com as pessoas, nas crises familiares, nos limites humanos, na falta de paciência, nos fracassos. São as cruzes de “cada dia” que devem mobilizar para encontrar a bússola que indica a liberdade, a esperança, a vida nova. Pela cruz experimentamos a solidariedade. Descobrimos, na cruz, que ninguém sofre sozinho e que as cruzes ficam mais brandas quando repartidas.

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