Preparar o coração!
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Antoine de Saint-Exupéry, no Pequeno Príncipe, escreveu o que pode ser uma metáfora do Advento, esse Tempo Litúrgico que estamos iniciando. Trata-se de um diálogo do principezinho com a raposa, que conheceu em um dos territórios por onde passou. Em certo encontro, a raposa disse: “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieto e agitado: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração”.
O Natal não pode chegar na nossa vida “a qualquer momento”. De fato, o evangelho deste domingo cita a história de Noé. Um dilúvio de grandes proporções estava se aproximando e muitos “nada perceberam” (Mt 24,37-44). O risco, desde sempre, é viver uma vida anestesiada, superficial, adormecida, insensível ao Senhor que já está nascendo diante dos nossos olhos, todos os dias.
O mundo está permanentemente “grávido de Deus” e pode gerar Deus toda vez que vive intensamente, atentamente, vigilantemente. O Advento não pode ser somente a preparação para o nascimento de Jesus – porque Ele já nasceu –, mas “esperar” o Senhor a partir de uma vida capaz de gerar Jesus, em um mundo que possa ser gerado por Jesus. Nosso futuro depende do Advento.
O convite do profeta Isaías é de fazer um caminho rumo a Jerusalém, um caminho que reúne todas as nações – ninguém deve ficar de fora: “vinde todos da casa de Jacó, deixemo-nos guiar pela luz do Senhor” (Is 2,1-5). O caminho faz sentido quando não estamos sozinhos. Para São Paulo, na Carta aos Romanos, o caminho é na direção da aurora, da intensidade da luz, que exige a profundidade espiritual de quem supera a noite escura e as atitudes de dormência espiritual (Rm 13,11-14).
O Natal do Senhor se aproxima, as quatro horas já estão diante dos nossos olhos. Não vivamos como se nada estivesse acontecendo. Desde as três, sejamos felizes, preparemos o coração!