Produtores rurais organizam mobilização por prazos maiores e securitização das dívidas agrícolas
A mobilização acontece em Getúlio Vargas, das 8h às 17h, no trevo sul da ERS-135
Após cinco safras marcadas por adversidades climáticas severas, produtores rurais do Rio Grande do Sul voltam às ruas nesta sexta-feira (30) para exigir medidas emergenciais. A mobilização acontece das 8h às 17h, no trevo sul da ERS-135, em Getúlio Vargas, com um ato oficial marcado para as 10h. A principal reivindicação é a aprovação do Projeto de Lei 320/25, que prevê prorrogação e renegociação de dívidas rurais.
O impacto das estiagens recorrentes — quatro nos últimos cinco anos — somado a uma enchente histórica, gerou uma perda estimada em 51,3 milhões de toneladas de grãos. Esses prejuízos ultrapassam R$ 300 bilhões, afetando não apenas o campo, mas a economia das cidades da região.
Endividamento se agrava com safras frustradas
Atualmente, os agricultores gaúchos somam uma dívida total de R$ 72,8 bilhões com instituições financeiras, sendo que R$ 27 bilhões têm vencimento já em 2025. O mais preocupante é que quase um quinto desse montante resulta de renegociações anteriores. Fora do sistema bancário, os produtores ainda enfrentam débitos expressivos com cooperativas, fornecedores de insumos e cerealistas.
Mesmo com dificuldades, o setor mantém baixos índices de inadimplência. Dados da Farsul mostram que, enquanto a média nacional gira entre 7% e 8%, os produtores do estado apresentam 4,3%. No entanto, para preservar o crédito, muitos recorrem a financiamentos com juros elevados — entre 2% e 3% ao mês — o que tem comprometido ainda mais a viabilidade das atividades.
Sem medidas concretas, a Farsul alerta que cerca de 35% dos produtores poderão ficar de fora da próxima safra, por não conseguirem renovar seus financiamentos. A queda na produtividade também acende um sinal de alerta: a média da soja, que era de 49 sacas por hectare nos últimos dez anos, caiu para 36 sacas nos últimos cinco anos — um recuo expressivo.
O setor reforça que são necessárias políticas públicas que estejam à altura da importância da agricultura para o país. Sem isso, os efeitos das perdas no campo continuarão sendo sentidos na mesa de todos os brasileiros.