RS tem redução de 54,5% nos latrocínios em março
Crimes patrimoniais seguem em queda. Homicídios tiveram ligeira alta, de 4,3%, contida pela reação contra conflitos na capital
O Rio Grande do Sul teve em março o menor número de latrocínios já registrado para o período em 11 anos. Em todo o Estado, foram cinco casos, o segundo menor total da série histórica, superado apenas pelos anos de 2009 a 2011, quando houve quatro roubos com morte no mês. O total atual também representa uma redução de 54,5% em relação às 11 ocorrências de março de 2021 – na comparação com o pico, de 22 latrocínios em 2013, a queda chega a 77,3%.
A diminuição em março contribuiu para aprofundar a retração recorde também no acumulado do primeiro trimestre. Desde janeiro, o Estado soma 14 latrocínios, o menor total para o período em 20 anos – a contabilização desse tipo de crime teve início em 2002. O dado representa ainda uma redução de 22,2% na comparação com os 18 casos registrados em igual intervalo do ano passado.
O latrocínio é um crime cuja ocorrência depende de uma série de fatores circunstanciais – possível reação da vítima, ação surpreendida por testemunhas, consciência do assaltante alterada por uso de entorpecentes e até mesmo eventual nervosismo do criminoso, entre outros. Na avaliação de autoridades das forças de segurança, a tendência de redução verificada ao longo dos últimos três anos passa pela investigação qualificada da Polícia Civil, que resulta em mais de 90% de índice de resolução desse tipo de delito, e pela intensificação do patrulhamento ostensivo da Brigada Militar. Também contribui decisivamente para a redução dos latrocínios a queda constante e generalizada dos crimes patrimoniais em todo o Estado, geradores dos roubos que acabam em mortes.
Roubo de veículos em março é o menor da série histórica
Um novo recorde na redução de roubos de veículos foi estabelecido no Rio Grande do Sul em março. O número de ocorrências caiu ao menor total desde o início da contabilização. Foram 449 casos, 38 a menos (-7,8%) que os 487 registrados no mesmo mês em 2021. Na comparação com 2018, quando ainda não havia sido implantado o RS Seguro e houve 1.642 ocorrências em março, a queda chega a 72,7%.
O mesmo cenário se repete no acumulado trimestral, em que os números também caíram ao menor total para o período. Desde janeiro, o Estado soma 1.203 roubos de veículo, o que representa baixa de 20,3% na comparação com os três primeiros meses do ano passado, quando houve 1.510 registros. Frente ao pico de 2017, que teve 5.132 ocorrências do tipo no primeiro trimestre, a retração é de 76,6%.
O impacto do foco territorial do RS Seguro também se destaca. Dos 307 roubos de veículos a menos na comparação entre janeiro e março deste ano e do anterior, 276 deixaram de ocorrer no conjunto dos 23 municípios priorizados pelo programa, ou seja, esse bloco de cidades respondeu por nove em cada 10 casos reduzidos em todo o Estado.
Roubo a transporte coletivo tem queda de 39,2% em março
Além dos roubos de veículo, outro crime relacionado ao tráfego urbano que apresentou redução recorde foi o roubo a transporte coletivo. Tanto na leitura isolada do mês passado quanto no acumulado desde janeiro, o número de ocorrências desse tipo de crime é o menor já contabilizado no Estado.
Em março, foram 62 casos, o que representa uma retração de 39,2% na comparação com os 102 do mesmo mês em 2021. No acumulado do primeiro trimestre, a queda é ainda mais expressiva. A soma de roubos a transporte coletivo, considerando os delitos contra motoristas e passageiros de ônibus e lotações, diminuiu de 326 entre janeiro e março do ano passado para 189 neste ano, uma baixa de 42%.
Março também registra quedas em ataques a banco e abigeatos
Outros dois crimes contra o patrimônio que atestam a tendência generalizada de redução no Estado, tanto no meio urbano quanto no rural, são os ataques a banco e os furtos de gado (abigeatos). O número de ocorrências contra instituições financeiras no RS baixou de seis para quatro em março (-33,3%), sendo que três delas foram registros de furtos, ou seja, sem a presença de vítimas. Para além da zona urbana, os furtos de gado também diminuíram. O número de ocorrências de abigeato no mês passou de 443, em 2021, para 334, neste ano, uma queda de 24,6%, para o menor total da série de contabilização.
Na comparação de acumulados entre janeiro e março de cada ano, ambos os crimes bateram os recordes de redução para o período. Os ataques a banco caíram 60%, de 15 em 2021 para seis neste ano, e os abigeatos baixaram de 1.093 para 1.012, uma retração de 7,4%.