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‘Tiraram um pedaço de mim’: jovens relatam danos colaterais da bichectomia

Um dos efeitos colaterais da bichectomia pode ser o afundamento das bochechas

Por: Uol

O rosto redondo e as bochechas cheias causavam incômodo à empreendedora cearense Karina Lima, 26. Na dentista, a jovem descobriu a possibilidade de passar por um procedimento estético, aparentemente simples e acessível, para afinar o rosto e ficar mais parecida com os filtros no Instagram que vez ou outra testava quando tirava selfies. Ficou curiosa com a possibilidade de “consertar” o que tanto a incomodava. Quando descobriu que a influenciadora Gessica Kayane, a GKay, fez bichectomia para deixar os traços mais delgados, resolveu fazer o procedimento.

Menos de 20 dias depois, viu que alguma coisa estava errada. O rosto cheio e jovial ganhou um aspecto envelhecido e sem formato.

A bichectomia foi feita em maio no consultório de uma dentista de confiança da empreendedora. Ela ficou 40 minutos de boca aberta na cadeira e, depois disso, a vida nunca mais foi a mesma. O rosto fino e harmônico que esperava nunca apareceu – e ela não se reconhecia mais ao se olhar no espelho.

Karina voltou à internet para entender o que estava acontecendo. Foi quando achou a página “Vítimas da Bichectomia” no Facebook, onde as administradoras relataram os mesmos efeitos que ela estava passando: rosto envelhecido antes da hora, pele do rosto desabando, olheiras, têmporas afundadas e bigode chinês.

Pelos depoimentos da página, descobriu que a bichectomia, considerada um procedimento “da moda”, está deixando um rastro de rostos precocemente envelhecidos.

O rosto redondo e as bochechas cheias causavam incômodo à empreendedora cearense Karina Lima, 26. Na dentista, a jovem descobriu a possibilidade de passar por um procedimento estético, aparentemente simples e acessível, para afinar o rosto e ficar mais parecida com os filtros no Instagram que vez ou outra testava quando tirava selfies. Ficou curiosa com a possibilidade de “consertar” o que tanto a incomodava. Quando descobriu que a influenciadora Gessica Kayane, a GKay, fez bichectomia para deixar os traços mais delgados, resolveu fazer o procedimento.

Menos de 20 dias depois, viu que alguma coisa estava errada. O rosto cheio e jovial ganhou um aspecto envelhecido e sem formato. A pele do rosto na região das bochechas ficou flácida, caída e, ainda por cima, Karina sentiu muita dor na região – mesmo já recuperada.

A bichectomia foi feita em maio no consultório de uma dentista de confiança da empreendedora. Ela ficou 40 minutos de boca aberta na cadeira e, depois disso, a vida nunca mais foi a mesma. O rosto fino e harmônico que esperava nunca apareceu – e ela não se reconhecia mais ao se olhar no espelho.

Karina voltou à internet para entender o que estava acontecendo. Foi quando achou a página “Vítimas da Bichectomia” no Facebook, onde as administradoras relataram os mesmos efeitos que ela estava passando: rosto envelhecido antes da hora, pele do rosto desabando, olheiras, têmporas afundadas e bigode chinês.

Pelos depoimentos da página, descobriu que a bichectomia, considerada um procedimento “da moda”, está deixando um rastro de rostos precocemente envelhecidos.Karina Lima criou um grupo de apoio para outras mulheres que sofreram danos colaterais da bichectomiaImagem: Arquivo pessoal

Os efeitos colaterais aparecem depois de anos, meses ou dias, como foi o caso de Karina. Homens e mulheres precisam agora gastar milhares de reais em procedimentos estéticos para amenizar os problemas causados pela bichectomia – um procedimento irreversível e que custa de R$ 2.000 a R$ 3.500.

Karina entrou em contato com as criadoras da página, Fabiula Bianchi, 33, e Onaiza Casagrande, 28, e decidiu abrir um grupo de apoio virtual para vítimas do procedimento, que não param de aparecer. Hoje, o grupo de apoio no WhatsApp e a página que mantém no TikTok e no Instagram viraram a missão de vida da empreendedora, que passa o dia todo avisando dos danos que a bichectomia pode causar.

“Nosso trabalho não é para prejudicar dentistas ou enaltecer médicos, mas para que outras pessoas possam ter a chance de pensar duas vezes antes de fazer esse procedimento”, esclarece. “Para que elas tenham a chance que eu não tive.”

Relatos sérios

Nos meses seguintes ao procedimento, Karina também descobriu que os problemas foram além da estética. A bichectomia deixou problemas funcionais: além da dor, ela teve problemas para abrir a boca e se alimentar. Para tratar dos problemas físicos, a jovem fez uso de uma medicação rica em B12 que a deixou com o rosto cheio de espinhas. Também teve ainda a carga emocional. A jovem não conseguia falar sobre o que estava passando, porque parecia que ninguém entenderia a situação. “A vergonha é imensa”, conta. Sem conseguir trabalhar e sair de casa, decidiu se mudar de Ipueiras (CE), onde morava, para Fortaleza. “Não queria que ninguém me visse.”

A jovem descobriu que a história dela não era a única. No grupo, um pouco mais de cem pessoas, a maioria mulheres, elas dão apoio e dicas de procedimentos para “corrigir” os problemas da bichectomia. “Uma vítima falou pra mim que lembra do dia da bichectomia como o dia da morte dela. São relatos muito sérios”, afirma

‘Parece que tiraram um pedaço de mim’ A maioria das pessoas no grupo fizeram o procedimento voluntariamente, mas não foi o caso de Justine*, 31.

Em outubro do ano passado, a assistente administrativa fez uma cirurgia para resolver o retrognatismo do queixo (quando a mandíbula inferior fica para trás), mas viu que o rosto começou a mudar já na fase de recuperação. Primeiro, notou um afundamento nas bochechas. “Vendo fotos de pessoas que fizeram a mesma cirurgia, notei que ninguém ficava com o rosto do jeito que tava o meu.”

Recuperada da cirurgia, o rosto de Justine ficou com um aspecto permanente de cansaço. A diferença foi tanta que até amigos próximos perguntavam se ela estava bem. “Teve um dia que saí com uma amiga e ela me perguntou se eu tinha feito bichectomia. A partir disso, comecei a pesquisar, procurar fotos e comecei a olhar as fotos de ‘antes e depois’ e vi que eram muito parecidas comigo.”

Depois do comentário da amiga, Justine encontrou a página “Vítimas da Bichectomia”. Questionou a cirurgiã que fez o procedimento e foi bloqueada por ela no WhatsApp.

“Até hoje não consegui provar que foi feita a bichectomia”, lamenta. “Eu teria que ter um exame específico da área antes da cirurgia para fazer a comparação.

Por causa disso, não consigo processar os cirurgiões e nem ter um pouquinho de paz. Para quem fez a cirurgia, sigo sendo vista como louca.!

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