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Tradição de receber a capelinha em casa ainda é compartilhada por muitas famílias

Tradição de receber a capelinha em casa ainda é muito forte nas famílias de Erechim. Há pouco tempo, inclusive, uma capelinha passou a circular por uma das ruas comerciais da cidade

Por: Paloma Mocellin
Fotos: Ilustração

Aquela antiga tradição de receber a santinha em casa e passar um dia com uma visita especial não terminou. Pois é, fiquem sabendo vocês que essa tradição continua e cada vez com mais força. Receber a capelinha continua sendo motivo de muita alegria para muitas famílias.

Mas a pergunta é: você conhece a história da tradição das capelinhas? Sabe de onde surgiu a ideia e a importância disso para as pessoas?  Para responder as perguntas, o jornal Atmosfera conversou com o Pe Antônio Valentini que nos contou um pouco da história desta tradição tão antiga.

Segundo o padre, aqui no Brasil, a primeira instalação da visita domiciliária se deu em 1914, em Belo Horizonte. A seguir, diversas arquidioceses e dioceses a introduziram.  “Alguns dos objetivos: atrair diretamente sobre as famílias, sobre as pessoas e a sociedade as bênçãos e graças do Coração de Maria, santificar a família por meio da oração em comum, de modo especial do Rosário, e pela frequente participação nos sacramentos. Também de tornar sempre mais conhecida e amada Nossa Senhora, ensinando a conhecer, amar e venerar seu Imaculado Coração”, explica.

Segundo Pe. Antoninho, cada paróquia organiza. Especialmente na Catedral são por volta de 40 capelinhas. “A escolha: depende do grupo que se forma para ter a capelinha. Às vezes é uma pessoa toma a iniciativa e vê na sua vizinhança quem deseja receber. Fala com o pároco e passa a coordenar o grupo. Mais adiante, numa reunião dos que a recebem podem escolher alguém para continuar na coordenação”, salienta ele.

Ainda segundo o Padre, normalmente, a capelinha fica um dia na casa de cada grupo formado. A indicação é que o grupo seja de 30 famílias, porque assim circula uma vez por mês e quando o mês tem 31 dias, fica dois dias numa família. “Naturalmente que para a circulação é bom que seja entre famílias próximas. Há capelinhas circulando num edifício, por exemplo,”.

O Padre da Catedral São José Pe Maicon Malacarne enfatizou a importância da tradição na vida de muitas famílias. Segundo ele, o carinho a Nossa Senhora em seus diferentes títulos é parte integrante da dimensão religiosa da história da nossa região. “Os primeiros que aqui chegaram trouxeram essa devoção fortemente e ela foi sendo enraizada nessa terra. Basta olhar para as comunidades católicas e ver que a grande maioria delas é dedicada ou a Nossa Senhora ou a um santo. Nesse contexto também estão as tradições ligadas as “capelinhas de Nossa Senhora”, explica.

Um dos últimos acontecimentos, segundo Pe Maicon, foi a passagem da santinha por uma rua comercial da nossa cidade. “Acho fantástica a motivação: levar momentos de oração e espiritualidade também para os espaços comerciais. Claro, como são lugares em que muitas pessoas, de diversas religiões e vivências da fé circulam, é necessária uma grande maturidade, diálogo e respeito”, disse.

Aqueles que recebem a capelinha salientam o apego pela tradição 

Cleci Santina Farina dos Anjos, diz que receber a Santinha em sua casa é como receber a visita da pessoa mais importante. Segundo ela não adianta receber a Santinha só por receber,  “Temos que saber vivenciar estes dias que Ela está em nossa casa. Fazer uma oração a cada vez que passar pela Santinha e confiar que o que você pedir será atendido”.

Bruna Dal Prá diz que para ela receber a capelinha é realmente uma bênção. “São dias de extremo agradecimento e oração diária junto a Ela. Pedimos bênção e principalmente agradecemos pois a intervenção Dela na nossa vida faz milagres”, salienta.

Na casa de Michele Zilio Gasparin a capelinha passa há 35 anos. “Desde que meus pais se casaram eles recebem a santinha. Nos dias em que ela está aqui nós buscamos cultivar esse sentimento pois é uma tradição que vem de família, no caso dos meus avós. E receber a capelinha na nossa casa é uma maneira de fortalecer nossa fé! Sempre nos reunimos e rezamos com ela”, explica.

Ana Elise Santin Biason conta que recebe a capelinha em casa desde criança, e que a família sempre esteve reunida para receber a santinha e rezar na sua chegada. “Eu era responsável por ler o evangelho e sou até hoje. Nas dificuldades, a intenção era colocada por todos. Quando minha avó materna faleceu, minha mãe ganhou uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e então organizou uma capelinha e visita as famílias aqui em nossas vizinhas. Ela participa de reuniões, visita as famílias e também recolhe donativos para as vocações”, salientou Ana.

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