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Helena Confortin

Opinião

Ensino no RS x ameaça de greve do magistério…

Durante décadas – meados do século XX até início do século XXI – quando se falava em qualidade de ensino no Brasil, o primeiro estado que vinha à mente era o Rio Grande do Sul. Éramos o Estado referência, o Estado que mais apresentava índices positivos em todas as estatísticas educacionais brasileiras.

Vivíamos uma época que me atrevo a chamar de “geração ditadura”, época em que o aluno cantava, com ufanismo, o Hino Nacional, em que sabia recitar as tabuadas e verbos (de cor) e sabia aplicá-los na prática, em que sabia fazer cálculos de memória e produzir textos coesos e coerentes, em que estudava latim, grego, inglês, espanhol e até francês, sem ter que frequentar cursinhos; época em que tinha por obrigação a disciplina Educação Moral e Cívica, mas que, nem por isso, deixava de ler jornais de circulação restrita, livros internacionais, textos de protesto; época em que o professor, chamado de “senhor”, era respeitado e amado; época em que ser professor não era só profissão, era “vocação”. Professor fazia “reciclagem”, se atualizava, estudava, fazia planos de unidade e de aula, sim, mas sabia o conteúdo, ministrava aulas, cobrava empenho, dedicação e… obtinha resultados, sim, bons, ótimos resultados.

De repente, os ventos pampianos ou minuanos começaram a mudar. Se foram ou não a democratização do ensino, a sindicalização do magistério, as novas e modernas teorias didáticas e psicológicas, os “novos direitos humanos”¸ dando aos alunos muitos direitos e poucas obrigações… não sei. O que eu sei, vi e vivi é que o professor começou a perdeu seu status de líder, de orientador, de educador. Precisou, ou quis, se inferiorizar, se achar “menor” que outras profissões. Apequenou-se. E… começou a fazer greves, inicialmente como uma forma de chamar a atenção para o que estava acontecendo com ele e com a educação, depois, por orientação e instigação político partidária e, hoje, parece que por falta de vontade, por desânimo, por falta de objetivos e motivos para trabalhar.

Arrisco-me a dizer que, atualmente, grande número de docentes não trabalham por “vocação” e, naturalmente, não são felizes como profissionais. E, afirmo: ser professores, muitos podem ser; ser professores educadores, só os vocacionados. E, com a desvalorização do profissional, estes últimos são raros. Consequencias: ensino indo de mal a pior, professores desmoralizados e desmotivados, muitos deles dominados por líderes políticos interesseiros e irresponsáveis, famílias delegando somente à escola a educação e formação dos filhos, alunos “perdidos”, aproveitando a situação para fazer valer seus direitos e vontades, sociedade apática, de braços cruzados…

Não sou contra reivindicações justas e sérias. Mas, ameaça de greve, de novo? E qual o motivo desta vez? Protestar contra a reforma da previdência, proposta pelo governo federal e contra os projetos de lei que tramitam na Assembleia Legislativa.  Pergunto: o que os alunos das escolas públicas estaduais têm a ver com isso? Não há outras formas de reivindicação que causem menos prejuízo a um setor que consideramos tão importante? Ou ele é importante só em época de eleição e, no dia a dia, nem seus profissionais o valorizam???  Não vamos culpar somente o governo, o sistema, as “estruturas”, a família, a direção da escola, a crise econômica, a atual situação… pela má qualidade de ensino. Para os grevistas, todos são culpados, menos eles, um punhado de professores que eu alcunho de “inconsequentes”.

É hora de sermos parceiros, de parar de achar culpados, é hora de lutarmos por um ensino melhor, por mais qualificação dos docentes, por recuperarmos a qualidade de ensino perdida, por sermos bons profissionais, sérios, competentes, responsáveis, vocacionados… Por enquanto, a impressão que a categoria – liderada pelo CEPERS – dḠé que falta “vontade” para que a coisa ande, que é melhor jogar pedras do que construir uma educação séria e de qualidade, que é mais fácil criticar do que fazer.

Enquanto isso, as escolas vão se apequenando e as salas de aula ficando vazias; enquanto isso os presídios vão aumentando e ficando super lotados; enquanto isso, fecham-se cursos de formação de professores, encerram-se ciclos de educação, fazem-se reformas inócuas e, o ensino da “geração democrática”, vai de mal a pior.

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