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Religião

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Laboratório de perdão!

A liberdade é quem orienta a comunicação entre Deus e quem tem fé porque Deus é liberdade.

Por: Pe. Maicon A. Malacarne
Fotos: Reprodução

Para a comunidade de Corinto, Paulo afirma que “o Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor, aí está a liberdade” (1Cor 3,17). A liberdade é quem orienta a comunicação entre Deus e quem tem fé porque Deus é liberdade. Trata-se do encontro da Liberdade com quem caminha para a liberdade! Viver a vocação à liberdade significa vencer o medo que é sempre um interruptor de liberdades.

A nova relação com Deus, inaugurada pela Páscoa de Jesus, livre e autêntica, conforme testemunha Paulo, se alcança através de uma nova relação entre irmãos. No Sermão da Montanha, Jesus não deixa de advertir: “vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão” (Mt 5,20-26). Antes de qualquer oferta, na base de toda a fé, está a saúde dos nossos relacionamentos que inicia com o imperativo mais desafiador: “não matarás”. E se pode “matar” de tantas formas.

No dia que se celebra os namorados, o amor dos que se amam, é ainda mais significativo o convite a uma vida reconciliada: fora do perdão, fora da paz, fora do amor, não há como viver uma vida livre. O rosto do outro oferece os contornos do rosto de Deus, laboratório para aprender sobre o perdão.

Na poesia de Levinás, o filósofo cujo princípio ético está no rosto do outro, se pode tatear aquele convite que Jesus fez: “vai primeiro, vai primeiro… o teu irmão…”!

A nudez do Rosto desarma-me
E ordena-me a vida.

A fragilidade do Rosto enamora-me
E pede-me cuidado.

A pureza do Rosto inquieta-me
E fala-me de outrem.

A beleza do Rosto fascina-me
E impede-me de dizê-lo.

A exposição do Rosto convida-me
E segreda-me que o toque.

A autenticidade do Rosto
E suplica-me a verdade.

Na presença do Rosto respondo,
Sou obrigado a saudar.

Na presença do Rosto contemplo
Aquele que eu não sou.

Na presença do rosto devo
Uma dívida infinita.

Na presença do Rosto posso
O que aqui começa.

Na presença do Rosto toco
Aquele que também sente.

Na presença do Rosto imagino
O amor de quem o imaginou.

Na alteridade te encontrarei.

Pe. Maicon A. Malacarne

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