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Mulher é suspeita de envenenar enteados e tentar matar ex-namorado, um vizinho e uma criança

Cíntia Mariano Dias Cabral está presa. Investigadores buscam provas em dados telefônicos e telemáticos da suspeita, que alega inocência

Por: Portal Terra

Cíntia Mariano Dias Cabral, de 49 anos, está presa sob suspeita de ter envenenado dois enteados neste ano, sendo que, o envenenamento culminou na morte da enteada Fernanda Carvalho Cabral. A mulher pode estar ligada a outros casos similares, seriam estes a morte de um ex-namorado em 2018, de um vizinho em 2020 e de uma tentativa contra uma criança há 20 anos. Segundo o delegado responsável pelo caso, Flávio Rodrigues, ambas as vítimas morreram em circunstâncias bem parecidas com a de Fernanda Cabral. A defesa nega que Cíntia tenha cometido crimes e afirma que o caso está sendo “espetacularizado”.

A Justiça autorizou a quebra dos dados telefônicos e telemáticos do celular apreendido com Cíntia, presa sob suspeita de tentar matar com feijão envenenado por chumbinho o enteado Bruno Carvalho Cabral, de 16 anos, no último dia 15.

O juiz Alexandre Abrahão Dias Teixeira, do III Tribunal do Júri, acatou o pedido feito pelo delegado Flávio Rodrigues, da 33ª Delegacia de Polícia (Realengo), que investiga o caso, e autorizou ainda o manuseio de conteúdos armazenados na nuvem e acessados em aplicativos de mensagens e redes sociais em geral por Cíntia. O delegado busca provas dos crimes atribuídos à madrasta.

“Estamos agora aguardando os dados do telefone e os laudos toxicológicos da Fernanda e do Bruno para definir os próximos passos”, afirmou o delegado Flávio Rodrigues.

Reportagem veiculada no Fantástico, da TV Globo, no domingo, revelou que em depoimento à polícia um filho biológico de Cíntia, cujo nome não foi divulgado, contou que há 20 anos, a mãe já tinha tentado envenenar com querosene o irmão dele por parte de pai, enteado de Cíntia. Na época, o menino tinha seis anos de idade. Rodrigues confirmou a informação.

O filho de Cíntia já tinha contado à Polícia que a mãe lhe confessou ter dado chumbinho aos enteados. Fernanda Cabral, de 22 anos, morreu após 13 dias internada, no dia 28 de março. Dois meses depois, Bruno Cabral, de 16 anos, foi internado com sintomas semelhantes, depois de almoçar na casa onde o pai dele vivia com a madrasta. Foi esse envenenamento que levantou suspeitas contra a madrasta. O corpo de Fernanda foi exumado na última quinta-feira para investigação.

Fernanda Cabral

“O declarante teve uma conversa com a mãe, onde a mesma confessou tudo que havia feito. Que Cíntia disse que colocou chumbinho no feijão do prato de Bruno e, por esse motivo, ele sentiu gosto ruim. Que o declarante perguntou se havia feito a mesma coisa com Fernanda, irmã de Bruno, e que Cintia disse que fez tudo isso por amor a Adeilson, pai dos jovens”, assinala no depoimento à Polícia o filho biológico de Cíntia.

Cíntia também é suspeita da morte de um vizinho, o representante farmacêutico Francisco das Chagas Fontenele, em 2020, e de um ex-namorado, o dentista Pedro José Bello Gomes, em 2018.

“A prisão temporária de 30 dias foi por tentativa de homicídio (de Bruno)“, explicou o delegado. “Com os novos resultados, novas acusações podem ser acrescentadas.”

Defesa de Cíntia nega acusações

Os advogados Carlos Augusto Santos e Raphael Souza, responsáveis pela defesa de Cíntia, afirmaram por nota que as acusações são “totalmente infundadas” e que serviriam apenas a fazer uma “espetacularização” do caso. “O vizinho não morava com Cíntia e morreu de câncer”, afirmou Santos. “Uma doença, que não existe nenhuma atribuição a envenenamento.”

Ainda segundo Santos, o ex-marido de Cíntia teria morrido por causa de um acidente vascular cerebral (AVC) e tampouco teria apresentado indícios de envenenamento. Sobre o enteado, Santos afirmou desconhecer a história. “Com isso, estamos aguardando os laudos periciais para nos manifestarmos mais sobre o assunto”, afirmou.

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