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Artigo: Já se vestiu de amor e com uma roupa diferente hoje?

Confira artigo enviado pela leitora Rosangela Cornelio, integrante dos Amigos da Alegria de Erechim

Por: Da Redação
Fotos: Divulgação

Por Rosangela Cornelio

Mãe, professora e integrante dos Amigos da Alegria de Erechim

Foi em São Paulo que encontrei um grupo especial que procura fazer a diferença na vida das pessoas. Na metade do mês de maio, no dia 15, participei do Seminário “Patch Adams – O Amor é Contagioso”, no Auditório do Anhembi, em São Paulo. Uma série de exposições anteciparam a participação da estrela do dia. A psiquiatra e psicanalista Sofia Bauer abordou a “Psicologia Positiva”, enaltecendo que devemos focar no que funciona, não nos problemas. Precisamos, ainda, acreditar que no meio das adversidades podemos florir.

O especialista em Neurolinguística, Yasushi Arita, discorreu sobre “Felicidade e Sucesso”, incentivando-nos a traçar metas por escrito para alcançar o que chamou de “Sete Saúdes Fundamentais”: a física, espiritual, intelectual, familiar, social, profissional e financeira. Para cada uma delas devemos definir datas de início/término e, o mais importante, agir. Arita salientou ainda que existe um oitavo dia na semana e que precisamos esquecê-lo. É o chamado “Um Dia”. Um Dia iremos fazer a viagem à Itália, Um Dia iremos àquele restaurante famoso, Um Dia começo uma atividade física, e esse dia nunca irá acontecer. Por isso, se traçarmos metas e as executarmos, estaremos trabalhando em busca da nossa satisfação pessoal.

Em seguida, o coach Sam Jolen falou sobre “Estratégias de Felicidade PLN” (Programação Neurolinguística da Mente) e indicou algumas técnicas a serem seguidas: focar naquilo que queremos mudar, equilibrar nossas preocupações com a opinião e o julgamento dos outros, cuidar também para não supervalorizarmos o “eu”, não ficarmos presos ao passado e, muito menos, projetando nossas expectativas no futuro. O que precisamos, de fato, é que nossas ações estejam no “agora”. E Patch Adams veio para mostrar na prática como acontecem essas transformações.

“You are my food”. Assim Patch Adams iniciou a sua participação, falando da importância da amizade. Um médico, humorista, humanista e intelectual, além de ativista em busca da paz mundial, ele queria criar laços de amizade conosco. Patch é uma pessoa que leva mensagens de amor ao próximo que, se praticado por todos, certamente mudará o mundo para melhor. A cada ano ele organiza um grupo internacional de voluntários que viaja pelo mundo em áreas críticas que enfrentam situações de guerra, pobreza e epidemia. Eles se vestem de palhaços num esforço para levar amor e espalhar alegria e humor a órfãos, doentes e outras pessoas, numa excelente forma de prevenir e tratar doenças. Sua vida inspirou o filme Patch Adams, estrelado por Robin Williams.

O médico contou que a mudança na vida dele ocorreu por conta da segregação racial vivida nos Estados Unidos. Não aceitando aquela condição, Patch Adams não ficou omisso àquela injustiça e, por consequência, até apanhava na escola por defender os negros. Comentou que deve à mãe por ser quem é hoje, ao ensinar sobre amor e ética. Porém, foi a própria mãe que não lhe deu resistência para suportar as injustiças e, por isso, precisou ser internado num hospital psiquiátrico por ter pensamentos suicidas. Foi nesse hospital que ele ouviu o discurso de Martin Luther King sobre a Revolução não Violenta. Inebriado por esse discurso, Patch refletiu: “não se mate, seu bobo, faça revolução”.

Foi então que começou a se questionar: “do que eu gosto? O que eu vou fazer da minha vida? Quero um trabalho que dê amor às pessoas. Mas a medicina é horrível, é cara (nos EUA), portanto, vou ser um médico livre. Posso ser um instrumento de paz e amor, pois minha mãe me fez uma pessoa legal”. Aos 18 anos, Patch decidiu que seria feliz o tempo inteiro. E ele o é há 52 anos com mecanismos simples que norteiam a sua vida, como ser feliz, engraçado, amoroso, criativo e otimista, e pensar nos outros. “Saí do hospital pegando fogo”, contou ele.

Na prática, Patch passou a estudar a alma humana. Duas horas por dia ele ligava para números aleatórios para conversar com as pessoas, ver quanto tempo conseguia manter um diálogo ou, ainda, entrava nos elevadores e desarmava as pessoas, aproximando-se delas e fazendo-as olhar em seus olhos para sorrir. As pessoas não se conectam com ninguém, a celebração da dor e do sofrimento é diária, por isso precisamos decidir pelo amor. Assim, apaixonou-se pela humanidade e se tornou especialista nisso.13288729_10154279028201473_1777087868_o

O médico salientou que em toda a história da ciência não há estudo dizendo que ser negativo, solitário e amargo traz benefício. Precisamos decidir pelo amor e pela amizade. Solidão, tédio e medo se dissipam quando você cultiva laços de amizade. Patch fez um comparativo entre o medo na antiguidade e aquele da era moderna. Antes, o medo era uma forma de proteção e servia para nos manter vivos. Hoje temos medo de gente. É um medo ruim, não sabemos estar em comunidade, precisamos reaprender a viver com os outros, pois a forma de vida do ser humano é tribal. Para Patch Adams, o amor é uma inteligência emocional que deveria ser ensinado na escola. Principalmente, o amor de mãe. Poderíamos ter um ensino de amor materno para que a humanidade aprendesse o que é ser boa mãe e descobrisse como ser excelentes pais.

Patch Adam não cansou de nos desafiar: “estou aqui para perturbar vocês. Vocês podem me ouvir, ficar tocados pelo que estou dizendo, mas, se não fizerem nada a respeito, não terá valido à pena. A felicidade pode ser cultivada! Vocês podem optar por serem felizes, pois a felicidade incomoda as pessoas, não há nada mais irritante para uma pessoa mal-humorada do que uma pessoa feliz. E o que é mais divertido, é que se trabalharmos juntos, deixaremos o mundo mais feliz”.

O que também me tocou foi conhecer o que move as ações positivas de Patch Adams que é esse universo triste de doenças, guerras, injustiças e tristezas. Ele consegue ver nisso tudo um combustível para transformar a carga negativa em amor. Uma pessoa que consegue florir no meio dessa aridez de amor e afeto que envolve a sociedade contemporânea. E é tudo tão cativante que provocou não só em mim, mas em muitas pessoas que participaram do seminário, o desejo de continuar ainda mais atuante nesse grande projeto de ação humanitária que dissemina o amor, como fazemos em âmbito local, com os Amigos da Alegria de Erechim. “Algo é tocante quando é emocionante. A criatividade é tão importante quanto o amor”, disse Patch. Então, para fazermos a diferença espalhando amor e despertando confiança, tudo o que precisamos é de boa vontade e uma ‘roupa diferente’.

Patch Adams ainda abordou o sentimento sobre a gratidão, contou que possui “um oceano de gratidão sem encontrar a margem”. Ele é grato pelos 71 anos de vida, por beijar Susan (sua esposa), pela saúde, por Dostoievski, pelo abacate, por conversar com as pessoas.

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