Opinião: O recado das eleições municipais
Confira artigo
Adriel Ferreira
Jornalista
Consultor Político/ABCOP
A Crise
A crise política que o país vem atravessando nos últimos anos teve início ainda nas eleições de 2014 para a Presidência da República. Foi uma das campanhas mais acirradas e disputadas. Dilma venceu um pleito marcado por dúvidas e incertezas do mercado quanto à condução econômica. Os protestos contra a Presidente foram o início do caminho que a levaria ao impeachment. O embate com Eduardo Cunha, a falta de habilidade política, a recessão econômica e outros infinitos fatores negativos – seus, do governo e do seu partido o PT -levaram a primeira mulher eleita e reeleita Presidente do Brasilser destituída do cargo.
Travou-se uma batalha e uma divisão no país.A crise estava instalada.
A Lava Jato a cada dia revela mais nomes de envolvidos em escândalos de corrupção, tanto do governo petista quanto dos partidos como o PMDB e o PSDB. A Crise existente se arrasta com as delações premiadas, que prometem agitar os brios em todos os partidos nos próximos meses.
A eleição municipal x 2018
A eleição municipal sempre é um termômetro dos partidos para a disputa nacional e estadual. Também é um momento de reafirmar lideranças e poder de comando dentro dos próprios partidos.
O ensejo de mudança e a grande rejeição ao PT, são os reflexos da crise política existente. O crescimento dos partidos como o PSDB com mais prefeituras em seu comando, a vitória em primeiro turno do prefeito de São Paulo João Doria apoiado por Geraldo Alckmin. A vitória do primeiro prefeito do PSDB em Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior. O segundo turno no Rio entre dois candidatos com partidos menores, os dois Marcelos, Freixo (PSOL)e Crivela (PRB). São todos eles, fatores que serão levados em conta para a eleição de 2018.
Os vitoriosos
Por todo o país os maiores vitoriosos foram aqueles que representaram em suas campanhas o discurso de mudança.
O PSDB sai mais fortalecido do pleito.
Partidos menores que conquistaram prefeituras importantes, como o PRB, que conquistou o comando do Rio de Janeiro. O PSOL com Marcelo Freixo disputando o segundo turno, se colocando como protagonista e competitivo no Rio. E o PCdoB, que entre os partidos de esquerda foi quem cresceu,o partido governa atualmente 54 municípios, e passará a comandar 81 prefeituras.
Os derrotados
Sem dúvidas o partido derrotado destas eleições foi o Partido dos Trabalhadores.
Diferente de menos de uma década atrás, os partidos de esquerda foram preteridos pelo eleitorado.
O PT foi o partido que mais perdeu no campo político, deixando de eleger e reeleger importantes cidades por todo o país. Só no ABC paulista, o chamado cinturão vermelho, reduto político do ex-presidente Lula onde tradicionalmente o partido elegia prefeitos e vereadores, desta vez não conquistou nenhuma prefeitura. O próprio filho do ex-presidente que concorria à reeleição para vereador de São Bernardo do Campo não conseguiu lograr êxito.
Em Porto Alegre o PT que sempre foi referência para o país ficou fora do segundo turno. O partido passou de 638 prefeituras para 254, uma perda de mais de 60%. No segundo turno o PT não elegeu nenhum prefeito.
O voto nulo, branco e abstenção
As abstenções, votos brancos e nulos somaram 32,5% do eleitorado do país, segundo dados do TSE. Pelos resultados, há um descontentamento do eleitor com a política, em muitos casos houve campanha pelo voto nulo, inclusive de partidos que não chegaram ao segundo turno.
Em Porto Alegre e no Rio, por exemplo, a soma destes votos é superior ao número de votos obtido pelo prefeito eleito.
Chama a atenção também que no segundo turno as duas maiores lideranças políticas do PT não compareceram as urnas para votar. Os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff deixaram de registrar seu voto e exercer a cidadania.
A democracia brasileira
Estamos vivenciando um momento transitório dentro da democracia brasileira. Segundo o ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro, é preciso aguardar para compreender se este é o fim de um ciclo ou parte de um ciclo. Este ciclo passará inclusive por uma reforma política, pois o Brasil já não sustenta o sistema político atual.