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Quem será o próximo governador

Em ano pré-eleitoral, internamente os partidos já começam o jogo no tabuleiro da política. A disputa começa a mexer com os egos dentro das próprias siglas, onde as correntes e grupos internos buscam viabilizar o seu candidato preferido. Este jogo de interesses muitas vezes ocorre de forma discreta e silenciosa. A eleição para o governo […]

Por: Adriel Ferreira

Em ano pré-eleitoral, internamente os partidos já começam o jogo no tabuleiro da política.

A disputa começa a mexer com os egos dentro das próprias siglas, onde as correntes e grupos internos buscam viabilizar o seu candidato preferido. Este jogo de interesses muitas vezes ocorre de forma discreta e silenciosa.

A eleição para o governo do estado em 2018 poderá ser uma das mais disputadas, ainda que o Rio Grande do Sul esteja vivenciando um período não muito convidativo para os postulantes ao cargo, diante das dificuldades financeiras e estruturantes, o desafio será gigante para quem suceder o atual governador José Ivo Sartori.

O momento político será outro daquele vivenciado em 2014, tanto para a situação que deverá defender seu projeto de governo baseado na reforma administrativa, quanto para a oposição.

O governador dá sinais de que buscará a reeleição. Sartori ou o candidato escolhido pelo PMDB não poderá mais dispor de um discurso vago de promessas ou plataforma de governo, deverá mostrar o resultado do seu governo.

Os braços abertos e o sorriso fácil, o slogan “meu partido é o Rio Grande”, as piadas do “colono de caxias” e as estórias da vida simples contadas ao lado da mãe, ficarão todas na lembrança daquele que se elegeu governador sem dizer o que iria fazer. Agora deverá, ainda que relute, confrontar e comparar o seu modo de governar aos seus antecessores. O Sartorão da massa dará lugar ao Sartori governador.

Vejo que a polarização típica da política gaúcha será ainda maior entre o PMDB e o PT, e ela será arrastada para o ringue das urnas pelo momento político nacional vivenciado. Petistas ainda ressentidos pelo impeachment de Dilma Rousseff, sentem-se traídos pelo PMDB do atual Presidente Michel Temer, eleito vice-presidente na chapa da petista. A palavra golpe ainda encontra resistência perante a sociedade comum, mas para a esquerda o golpe político sofrido ainda encontra-se em curso com as medidas das reformas trabalhista e da previdência, lideradas pelo presidente. O PMDB, de igual forma, buscará aniquilar nas urnas seu maior adversário, o PT. E não medirá esforços para tal façanha.

Vale lembrar que no Rio Grande do Sul nenhum governador conseguiu a reeleição, todos que embarcaram na tentativa foram derrotados (Antônio Britto, Germano Rigotto, Yeda Crusius e Tarso Genro).

E neste campo polarizado é que pode surgir a surpresa da terceira via, foi assim em algumas eleições.

Em 2002 Germano Rigotto era a terceira via e venceu a eleição, quando a polarização Britto e Tarso foi rejeitada pelos gaúchos. Em 2006, Yeda Crusius venceu, também como terceira via, quando Rigotto e Olívio disputavam para ir ao segundo turno, Rigotto ficou de fora e Yeda venceu a eleição. Já em 2010, Yeda perdeu a reeleição para Tarso Genro que venceu ainda no primeiro turno. A ex-governadora amargou a terceira posição, ficando atrás de José Fogaça.

Em 2014, Sartori venceu como terceira via, tudo indicava que o segundo turno seria disputado entre Tarso e a senadora Ana Amélia Lemos. Sartori ultrapassou a senadora nos últimos dias, garantindo a vitória no segundo turno contra Tarso Genro.

Em 2018 tudo indica que teremos uma nova surpresa com candidatos de terceira via. Ainda mais com o momento político de descrédito com os atuais governantes.

Em recente pesquisa divulgada pela Paraná Pesquisas, indica que os favoritos na disputa são Ana Amélia Lemos e José Ivo Sartori.

O instituto estimulou dois cenários para a disputa do Piratini em 2018. Com a presença de Ana Amélia, a senadora aparece na frente, com 25,9% das intenções de voto, seguida do governador Sartori (17,8%), Luciana Genro (8,8%), Manuela D’Ávila (8,5), Onyx Lorenzoni (6,4%), Eduardo Leite (5,5%), Jairo Jorge (3,8%) e Miguel Rossetto (2,2%) – 14,8% responderam que não votariam em nenhum deles e 6,3% disseram não saber.

No segundo cenário, sem a presença da senadora, Sartori lidera com 21%, seguido de Manuela D’Ávila (9,9%), Luciana Genro (9,8%), Onyx Lorenzoni (8,4%), Beto Albuquerque (7,3%), Eduardo Leite (6,3%), Jairo Jorge (4,4%) e Miguel Rossetto (2,6%) – 22,7% responderam que não sabem e 7,7% disseram não saber.

O levantamento ainda questionou os entrevistados sobre a avaliação do governador Sartori: 2,7% consideraram a gestão dele ótima; 24% boa; 33,4% regular; 20% ruim; 18,7% péssima; e 1,3% não sabe ou não opinou. Em geral, 50,5% disseram desaprovar o governo e 45,6% aprovar.

Diante do cenário, vale ficar atento mais a porcentagem de rejeição dos candidatos.

Mas, como a política no Brasil anda com tantas mudanças, surpresas e delações de fim do mundo todos os dias, as informações e análises mudam a cada momento. É preferível aguardar a largada para 2018, quando os candidatos estiverem postos, inscritos para buscar, no voto dos gaúchos, a oportunidade de sentar na cadeira máxima do Palácio Piratini, e assim liderar este estado e sair do sufoco e da crise em que se encontra.

Adriel Ferreira

Jornalista, Consultor em Marketing Político

pela Associação Brasileira de Consultores Políticos

 

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